Domingo, Outubro 7

No umbigo do furacão e no peito um gavião

De Taiwan, o Bruno me manda um link para esta imagem do Krosa (o tufão tem ventos de entre 184 e 227 km/h e um rádio de 300 quilômetros):
















Fonte: http://www.cwb.gov.tw/V5e/

Ele estava bem embaixo do tufão e por causa disso, não conseguiu assistir ao Gande Pêmio de Shangai e teve que ficar dois dias no hotel, esperando o bichinho passar para poder voar.
Por aqui eu também estou de certa forma recolhida. O meu tufão é formado pelo meu mestrado e pelo meu trabalho, que se enroscam em temas semelhantes e eu passo dias e noites envolvida com leituras, textos, conceitos, estudos de caso, que chegam por todos os lados, num turbilhão difícil de organizar, dando impressão de que eu fico me agarrando onde eu consigo, mas que nunca vai dar tempo de ir fundo nas idéias. Talvez porque não exista um fundo. Talvez tentar ir a fundo seja como entrar no olho de um furacão que vai me levar para cima e me jogar longe, apenas. E no meio disso tudo, nem consigo imaginar como deve ser a calmaria e nem sequer desejá-la.

Um dia desses, a manhã estava límpida, fresca e todas as coisas vivas estavam cintilando ao sol, muito vibrantes, mas tranqüilas. Todas em seu curso harmonioso, que geralmente me passa desapercebido. Fiquei com uma grande vontade de caminhar na Beira-Mar, perto das forças da natureza. Talvez a sensação de dissertação defendida e aprovada seja parecida com a desse dia. De estar à vontade para me interessar por coisas que não parecem úteis ou urgentes, mas que são belas por sí mesmas.

Mas por enquanto, eu quero estar perto do poder, eu quero estar perto do fogo.

Meu carinho a todos e peço desculpas pela falta de contato. É por uma boa causa.

Desejo do dia: uma boa viagem para todos que eu amo.
Ah, o tema da dissertação é gestão de projetos de desenvolvimento.

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