No dia 20 do 09 de 2009, eu percebi que vivi trinta e três anos sem ter idéia do que é uma criança recém-nascida. Eu passei nove meses lendo e fazendo cursos sobre amamentação, cuidados com o bebê, vacinas, banho, shantala, troca de fraldas, mas ninguém me explicou nada sobre como é o mundo de uma pessoa recém-nascido e como relacionar-se com ela. Eu não sabia que ela não iria mover ou sustentar a cabeça, reconhecer-nos ou acompanhar-nos com os olhos. “Como assim ela não tem o controle das mãos?”. Para ela eu seria apenas uma referência de aconchego e alimento. A “pessoa com peitos”, como eu chamei. Mas a relação de confiança e segurança deveria ser construída. Trocar fraldas é a parte mais simples do dia.
Eu imaginava que ela iria se aninhar nos meus braços e contanto que eu lhe desse alimento e carinho ela estaria feliz e satisfeita, mas não. Eu diria apenas: “Ei, eu sou sua mãe querida. Pode ficar feliz e dormir tranqüila no meu colo.” Sobretudo, eu não sabia que ela já nasceria com um temperamento e que a maneira como vai interagir com o mundo não tem a ver apenas com a forma como nós a tratamos. Que ela vai chorar, por melhor que seja o nosso trabalho.
Enfim, concluo que um bebê não é uma mini-pessoa. É um projeto de pessoa, com personalidade, e que nós, pais inexperientes, temos a missão de ajudá-la a desenvolver o seu potencial, suas habilidades físicas e emocionais. Isso é uma grande responsabilidade e não depende de dinheiro ou do grau de instrução. Depende de trabalho e de dedicação. Não ensinaram nada sobre isso nos cursos.
E não enfatizaram outras informações importantes, como por exemplo: apesar de saber que ela precisaria mamar com grande freqüência e sem deixar passar mais do que quatro horas, não atinei que desta forma, eu iria passar o próximo mês não dormindo nunca mais do que três horas seguidas. E que o tempo para fazer outras coisas que não cuidar dela seria mínimo. Eu achava que não iríamos dormir direito apenas se fossemos péssimos pais. Eu não entendia muito a “mania” dos cariocas de ter babá, mas agora entendo completamente. Babá, avó ou amiga, é fundamental ter por perto alguém que entenda de bebês, nem que seja para apoio emocional. Como o da minha mãe: “Calma. É assim mesmo. Criança chora.”
Também foi uma surpresa descobrir que, de todo o trabalho – o qual somente quem já é mãe e pai sabe que estamos tendo – ensinar a Lorena a dormir seria o mais difícil. Ela dormia apenas mamando e nós nunca sabíamos se estava chorando porque estava com fome ou outra coisa. Embora estejamos mudando esse hábito, ela ainda não consegue adormecer sozinha e não quer nem saber de chupeta (nunca pensei que eu iria tentar). Como boa internauta, na primeira chance, corri para os foruns em busca de uma luz. São tantas teorias que é preciso ter muito dissernimento e mesmo assim, não vamos acertar sempre. Não me dei apenas com a "livre demanda", nem como método de horários do "nana nenê". Para mim, a melhor fonte de apoio tem sido a obra de Tracy Hogg (A Encantadora de Bebês), com ressalvas, claro, mas está funcionando. Ela ensina a conhecer a criança, os tipos de choro, a respeitar suas peculiaridas e a ajudá-la a criar uma rotina. Segundo a sua classificação de temperamentos, nossa menina tem as características de uma criança enérgica e quem tem filhos classificados como “anjo” ou “livro-texto” não saberá do que estou falando, pois estes adormecem bem e não dão trabalho. Estou fazendo adaptações, o que parece estar funcionando. Também temos a importante ajuda do grupo Hanami, como comentei no post passado.
Enfim, o meu consolo inicialmente foi lembrar que se a humanidade sobreviveu até aqui é porque não é tão difícil. Todo mundo já foi bebê um dia e se bilhões de pessoas estão saracutiando por aí é porque seus pais, não importando as condições de vida ou de conhecimento, deram conta do recado. Nós também daremos.
Acabei de colocá-la no berço, onde ela dorme durante o dia. Ela olhou para mim, fechou os olhos e dormiu sorrindo.
Resumindo, ela é linda, muito saudável e tem sido a luz dos meus dias.
Desejo do dia: dissernimento.

A cor da parede eu queria bege, mas coloquei umas cinco provinhas na parede e a somente duas ficaram bege. Escolhemos a Chamoir (Coral). Qual não foi a minha surpresa quando o pintor passou a tinta e parede estava rosa? A tinta ficou diferente da provinha! Ainda tentei apelar para outra, a Branco Rússia, mas ficou ainda mais rosa. Agora estamos com um quarto rosinha.









