
Sempre fui muito CDF. Se há uma campanha de vacinação, vamos vacinar. Portanto, semana passada fui levar a Lorena para tomar a vacina contra a H1N1.
Meu primeiro espanto foi com o estado do posto de saúde aqui no meu bairro, João Paulo. Fica no meio de tapumes de obras da escola local. Mas o posto não está em obras. Segundo o funcionário, vão mudar dali para um prédio novo cuja construção ainda não tem prazo para começar. Como já trabalhei com órgãos públicos, sei que apesar das péssimas condições, as pessoas acabam se acostumando. Tanto a população quanto os funcionários. Para mim, foi meio triste.
Enquanto esperava, vi algumas situações de atendimento e burocracia que me deixaram ainda mais chateada. Sem falar que o prazo final da campanha acabava no meio do feriado. Tem muita coisa que funciona bem, mas foi o suficiente para gerar algumas reflexões cidadãs (penso sempre no que eu poderia fazer).
Bom, mas o que eu gostaria de comentar é que também me deram a vacina. No mesmo dia fiquei mal, como com um início de gripe e estou um pouco mal até hoje, uma semana depois. O local da vacina doeu muito uns três dias. A Lorena, aparentemente, não teve nada.
Como a tosse não para, por curiosidade, resolvi pesquisar sobre efeitos colaterais e me deparo com várias
teorias da conspiração. E parece que elas fazem efeito porque a campanha de vacinação não tem alcançado o objetivo.
Sei que a indústria farmaceutica não é um centro de benevolência e a gente nunca pode ter 100% de certeza. Mas, na prática, se eu fiquei assim mal com a vacina, imagino a doença.
Eu havia recebido o e-mail conspiratório. Até li, mas ignorei. No ano passado, mesmo com gente morrendo o pessoal já dizia que era "
much ado about nothing". Que só no Brasil havia preocupação. Esse ano a coisa da conspiração está tão forte que os especialistas estão
prestando esclarecimentos. Isso me fez lembrar uma aula que tive na escola sobre a
Revolta da Vacina, contra a campanha de Osvaldo Cruz para erradicação da variola.
Será que as pessoas estão deixando para a última hora, estão menosprezando a gripe ou estão acreditando nas teorias?
"Pode-se extrair da Revolta da Vacina uma lição até hoje válida: não dá para fazer saúde pública sem o público, sem a população, devidamente motivada e mobilizada. Vacinar pessoas não é a mesma coisa que vacinar gado. É preciso levar em conta fatores psicológicos, sociais e culturais. Na Inglaterra e nos Estados Unidos, até médicos manifestavam-se contra a vacinação. Num artigo do New York Journal of Medicine, em julho de 1899, dizia Charles Rauta, professor de Higiene: "A vacinação é uma monstruosidade." Palavras que encontaram eco em Barata Ribeiro, médico, senador, professor da Faculdade de Medicina do Rio que declarava: "Prefiro morrer a me vacinar." Seria, portanto, necessário comunicar-se com a população, informá-la e esclarecer suas dúvidas. " (Fonte do texto e da imagem).Excelentes esclarecimentos aqui. Interessante ver nos comentários que ainda há muito medo.Desejo do dia: saúde.