Começou contando sobre a minha vida em Hong Kong,
onde acredito que todas as pessoas e objetos perdidos do mundo um dia irão parar. Agora penso que vou falar sobre Floripa, cidade das minhas ilusões. E é claro, sobre desejos.
Terça-feira, Maio 5
Sugar Blues
Fiquei chocada com a notícia que ouvi, essa semana, de que o Brasil vai começar a exportar açúcar refinado para Europa e EUA agora que algumas fábricas estão utilizando o ozônio para branquear o açúcar, em vez utilizar o dióxido de enxofre. A gente pode comer, mas exportar não pode? Resolvi dar uma checada no tema.
O Jornal Gazeta Mercantil (04/12/2006) diz que o enxofre é adotado pelas usinas para o branqueamento do açúcar no Brasil, mas o método é considerado cancerígeno. A notícia anunciando o investimento no novo processo é de 2006, mas assunto foi notícia essa semana no Jornal Nacional. Descobri em um texto da Internet que a quantidade de resíduo do enxofre é limitada pela OMS (Organização Mundial da Saúde) e que na indústria americana e na européia o nível permitido é zero. "Aqui no Brasil só existe limitação para exportação, que é de 7 ppm (parte por milhão) e normalmente, nas vendas internas, este item não é fiscalizado." diz a fonte "em cache" no Google.
A odontopediatra Vera, que foi esposa do meu pai, foi quem me emprestou pela primeira vez o livro Sugar Blues (versão online), quando eu era adolescente. Na época, ela se preocupava com a minha dor de garganta constante e dizia que o açúcar faz para os tecidos da garganta o mesmo mal que faz para os dentes.
Depois de ler o livro, o meu consumo de açúcar ficou mais consciente. Até tomei açúcar mascavo por um tempo, mas nunca curti o gosto. Hoje eu tomo sucos e chás sem açúcar, mas o café eu gosto adoçado. Com a gravidez também parei de tomar adoçante, até o stevia. Então, dia desses eu lembrei que no exterior usa-se muito o "brown sugar", que é bem gostosinho. Descobri que aqui se chama Demerara e já tratei de comprar um saco desse açúcar, tipo orgânico.
Não sei porque eu usava um açúcar tão branco como o refinado. O Demerara orgânico não foi muito caro, menos de quatro reais do quilo (menos que uma barra chocolate) e o café fica bem gostoso. Como eu uso pouco, vai durar muito tempo. Acho que o bom mesmo era não usar nenhum açúcar, nem tomar café, mas... Quando perguntam se eu tenho algum vício respondo logo que é doce porque é algo que eu não consigo deixar, como acontece com qualquer viciado.
Algumas "lendas" da Internet têm efeito sobre mim e já não consigo usar desodorante ou pasta de dente ou ficar perto de aparelhos eletrônicos sem um fundo de desconfiança. Ainda mais agora que uma amiga minha passou por uma sofrida mastectomia em virtude de um câncer e um querido amigo e o cunhado de uma amiga estão com câncer de pulmão grave como metástase, todos com cerca de 30 anos. A vida moderna traz facilidades, mas há um preço. Na opinião da minha médica de ultrassonografia, as pessoas não estão com mais câncer hoje em dia, apenas ocorre que os casos são detectados mais cedo e com mais frequência. Mas a alimentação também influencia em disposição, humor e outros aspectos da nossa saúde, por isso eu posso tentar me cuidar. Ainda mais agora que eu sou responsável por uma pessoinha que ainda não pode escolher o que vai comer.
Não tenho neuras com amor, nem com felicidade, nem com Deus. Se me perguntarem, existem sim, procurem que um dia acharão. Tenho dificuldades em jogar conversa fora e às vezes falo uma porção de bobagens. Não sei lidar muito bem com elogios, nem com críticas, mas estou evoluindo. Não gosto de magoar as pessoas, mas em alguns momentos tenho medo de pedir desculpas. Tenho sonhos engraçados, muita sorte e pouco tato. Sou prudente, desconfiada e paciente. Não gosto que falem alto, que falem mal dos outros e que desistam. Boa cozinheira, fotógrafa insistente, arqueóloga amadora e atleta preguiçosa.
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