quarta-feira, junho 28

Um dia na África

Eu não tenho notícias de nenhum ancestral africano. Meu pai é argentino e tem cara de cigano e índio, minha mãe é catarinense de origem portuguesa, mas gostaria de saber mais sobre a aventura de algum homem ou mulher negra que tenha entrado nessa mistura rica que forma o meu DNA.

Adoro a África. Adorei desde que olhei pela janela do avião e avistei o continente. Foi a visão de uma extensa praia de areias brancas, separando o Atlântico do deserto do Kalahari. Nas horas seguintes, não sei bem, pois me perdi no tempo, contemplei um deserto vivo, de muitas cores e padrões, de altíssimas dunas brancas, sinuosas areias vermelhas e outras formas em movimento. Quando o verde baixinho foi aparecendo, eu não sabia, mas era sinal de chegávamos à civilização e logo pude ver os primeiros povoados. Ao pisar no aeroporto de Joanesburgo, minha paixão se confirmou. Pude ver a savana pelas janelas de vidro e imaginei leões e elefantes. Exatamente como alguns estrangeiros esperam ver índios e mulatas ao chegar ao Brasil.

Não saí do aeroporto e peguei outro vôo para Hong Kong, mas a oportunidade de conhecer um pouco da África veio alguns meses depois, quando passamos a lua-de-mel na Cidade do Cabo (Cape Town), a cidade mais encantadora que já conheci.

Adorei como as pessoas sorriem largamente, como são bonitas, as músicas, as capelas, os canions, os animais no caminho, o mar, o vinho. Mas essa é uma África mais bonita, mesmo com todo o histórico de desigualdade.

Em Hong Kong eu trabalhei numa ONG que enviava muitos donativos para a África e conheci alguns refugiados. Ficava curiosa, mas temerosa de perguntar sobre o seu passado. Tenho interesse nas histórias, na cultura, na situação, em como poderia ajudar de alguma forma um continente tão grande e bonito, a melhorar o padrão coletivo de vida. Não é justo o que acontece com a África. O mundo é injusto eu sei, mas esquecer as pessoas, um continente inteiro, como ocorre com a África, é incompreensível.

O mesmo amor e interesse que eu tenho pela cultura da América Latina, onde certamente estão as minhas raízes, tenho pela África. Só que a América Latina é ternura e a África é arrebatamento. A Ásia, que eu pude conhecer um pouco melhor, é curiosidade, a Europa, romance e nostalgia e a Oceania, uma extravagância, uma alegria. Ah, tem a América do Norte, mas essa ainda é desconfiança.

Algumas músicas africanas me provocam um efeito quase paralisante sob a pele, tocam fundo demais. Ver uma capela na rua, em Cape Town, foi uma experiência muito marcante. A música naquelas vozes, vinha do coração, do chão, dos elementos.

Por isso, sei que a minha aventura humana ainda vai ter alguma boa relação com a África. As minhas células me dizem isso.

Acredito que a história dos povos, das crianças, homens, mulheres, guerreiros que foram capturados em suas terras e levados para um outro continente, da matança, da barbárie, ainda não foi propriamente contada, pois todavia estamos sob a miopia da mesma sociedade escravagista de há pouco mais de um século. Assim como a história da América Latina também não está contada. Talvez só consigamos ver melhor o que se passa em boa parte do mundo, à distância de mais um século adiante.

Lembrei de tudo isso ao ver as fotos desse projeto: "Um dia na África", como fotos do dia 28 de fevereiro de 2002. "Um dia normal, simples, como tantos outros,captado em 53 países do Continente Africano (incluindo Angola, Cabo Verde,São Tomé e Príncipe; ...), pelas câmaras de uma centenas de fotógrafos,de 26 países, de todo o mundo... "

Veja as fotos do projeto.

Nossas fotos da Cidade do Cabo:




Sugestão de Filmes:
- Hotel Ruanda
- Amor sem Fronteiras
- O Jardineiro Fiel
- A Montanha dos Gorilas
- Entre dois Amores
- Os deuses devem estar loucos
- A Sombra e a Escuridão (mesmo não gostando da idéia de "homens brancos salvadores")

Aceito sugestões! Também de CDs.

Desejo do dia: virtudes.

terça-feira, junho 20

Paciência

"O nosso time entra em campo e prepara uma goleada de ofertas para você"
"Uma seleção de preços baixos"
"Ofertas campeãs"
"Vai que é tua, 'loja x'!"
"Vamos entrar em campo juntos"
"Copa do mundo de ofertas"
"A grande jogada é comprar na..."

Quantos publicitários de formam anualmente no Brasil?
"Um shoooooooow de criatividade"
Tá bom, gostei daquela do Maradona sonhando que está jogando na seleção brasileira...

Desejo do dia: boas notícias.

quinta-feira, junho 1

Outro mundo

Estico meu braço direito a frente dos olhos e ele atravessa a realidade, mergunlhando na superfície de um lago vertical. Vislumbro algumas imagens por meio da abertura. Há um outro mundo além desse mundo.

É essa a impressão que tenho ao ler esse pedido de ajuda:

"(...) faço parte de um grupo de voluntariado missionário ligado à igreja católica. Neste grupo este ano estamos a preparar um projecto de apoio social em Angola. Fiquei encarregada de reunir dinâmicas para os ATLs que vamos realizar. Temos algum material didáctico para levar (lápis, papel, etc.) mas a verdade é que queríamos pensar num ATL que não tivesse de recorrer a esses materiais, pois após a nossa vinda as crianças voltam a não ter acesso. Pensámos em algo mais sustentável que se pudesse fazer apenas com: areia, folhas, flores, pedrinhas e usando o corpo humano. A vegetação no local onde vamos é savana. Gostávamos de saber se têm algum material recolhido neste sentido e se nos podem facultar bibliografia, fotocópias, etc. Ou até se têm ideias de dinâmicas. Obrigada pela atenção."

Desejo do dia: retornar à belíssima África.

terça-feira, maio 30

A difícil tarefa de construir um país

Tenho acompanhado os comentários de brasileiros, timorenses e de outros interessados sobre a crise desse país que tem apenas quatro anos de idade. Ela revela um pouco da difícil tarefa de muitas regiões do mundo, que viveram sob uma colonização exploradora, quando não genocída, de se organizar como Estado. Lembro das aulas de História, da diferença entre "nação" e "país".

O Timor precisou de ajuda internacional para criar suas leis, organizar suas instituições, língua oficial, estrutura. Muitos brasileiros estão lá para ajudar, mas essa tarefa tem sido muito difícil por diversas razões, inclusive interesses externos.

O que torna um conjunto de pessoas uma nação? O que dá forças para que juntas elejam líderes, criem e respeitem as suas leis e acabem por torcerem unidas, um dia, pela bandeira de seu país?
Países da Europa lutaram séculos entre sí para se tornarem monarquias e depois democracias e ainda assim não estão bem resolvidos (observe-se o ETA e o IRA). Na Ámérica, África e Ásia, as ex-colônias tentam se desenvolver como países, algumas com mais sucesso. No entanto, olhando mais de perto, há ainda diversos países passando por conflitos internos. Até mesmo os desenvolvidos. A França andou ardendo esses dias. Os EUA, símbolo de uma nação livre, esconde o fervor da insatisfação das etnias desfavorecidas. Bom, o Oriente Médio, dispensa comentários.

Um pequena parcela do mundo luta pelo ideal da casa-com-tv-e-carro-zero-na-garagem. O resto luta pelo direito de continuar vivendo e de viver em comunidade.

A princípio, o Brasil alcançou o ideal de ser uma nação. As lojinhas de 1,99 vão faturar milhões com coisinhas verde-amarelas pelos próximos dias. Vamos produzir bastante lixo e gritar bem alto. Vai ser um chatice para uma pessoa "cricri" como eu, mas é bom que seja assim. Queria que esse patriotismo e essa energia durassem mais.

O legal é que a gente pode passar um pouquinho disso para outros países, que nos adoram. É muito gostoso visitar outros lugares e ver o pessoal sorrir e bradar, com forte sotaque: "Brasil!"

Professores da CAPES que estão no Timor estão sendo evacuados para a Austrália, até que a situação se acalme no Timor, mas vejo pela lista, que eles não querem ir. Não se trata de perder tempo cuidando da educação dos outros, mas cuindando do mundo em que vivemos e aprendendo muito com isso, trazendo coisas boas para o Brasil. Os professores escreveram uma carta para o Ministro da Educação, pedindo para não abandonarem o trabalho. Transcrevo o depoimento de um deles:

"Estamos indo embora e sinto vergonha. Quem dentre nós tiver o mínimo de respeito pelo ser humano quando estivermos nos dirigindo ao aeroporto, baixe a cabeça e não olhe para as centenas de refugiados que estarão pelo caminho.
Estamos indo embora e o meu sentimento é, também, de derrota. Nem todas as dificuldades que superamos em um ano de Timor me farão sentir que, de alguma forma, deixaremos o nome do nosso país registrado na história da mais nova nação do mundo. Saltamos do trem pela porta do último vagão. Saímos justamente quando eles mais precisavam.
Deixamos para trás um povo que nos recebeu de braços abertos e que nos chama de irmãos. Deixamos pra trás um povo que lutou, luta e lutará para se libertar de toda e qualquer amarra. Nunca compreenderemos este povo por completo. Nunca saberemos tudo que passa pela cabeça de um timorense por mais que tentamos nos esforçar e, talvez por isso, os deixamos sem lhes dizer absolutamente nada.
Em Timor-Leste nos angustiamos, nos indignamos, nos ofendemos, nos perdoados, mas, sobretudo, aprendemos. Poderíamos ter qualquer outro argumento para deixar pra trás as expectativas que eles construíram sobre nós e nosso trabalho, mas não o temos. Passamos por momentos tensos e os superamos sem pavor. Mas agora somos obrigados a evacuar do país. Iremos para Darwin e ficaremos lá por 15 dias para depois o governo brasileiro decidir se voltamos ou não para o Timor. Mas temos a sensação de que tão cedo não voltaremos a ver essa terra. MEU SENTIMENTO É DE VERGONHA E DERROTA! "



Crianças do Timor Leste. Fonte.

Trecho da carta dos professores brasileiros ao Ministro da Educação:

“Entendemos que a Educação é peça fundamental no processo de retomada da paz e a participação ininterrupta da Missão Brasileira é de grande importância para assegurar a confiança nas atividades estatais e o apoio da CPLP ao Timor-Leste.
Recebemos continuamente pedidos de nossas contrapartes timorenses para que nossas atividades não sejam interrompidas e seus resultados comprometidos.
(...)
Portanto, sendo a nossa vontade concluir os projetos iniciados, e não abandonar o povo timorense nesse instante difícil, solicitamos que em caso de risco se preserve a integridade física dos professores brasileiros em lugar seguro até que a situação se defina e de margem para negociações."

Desejo do dia: uma alimentação saudável.

sexta-feira, maio 26

Timor Leste

Xanana Gusmão
As coisas não andam nada bem no Timor Leste. Estou participando de uma lista de discussão que inclui pessoas do Timor, brasileiros e portugueses e há dias eles vêm relatandoo início do que parece ser uma guerra interna. Lembrei do filme "Hotel Ruanda".

Por que estou acompanhando isso? Assim que conheci a sua história, tive uma atração inexplicável pelo Timor Leste. Talvez por ser um país em reconstrução, com 4 anos de indepedência, que fala português. Conheci um timorense em Bali e uma brasileira que trabalha na ONU por lá, ajudando na construção das leis.

Território rico em Sândalo, em 1975 ficou independente de Portugal, mas no mesmo ano foi invadido pela Indonésia que estabeleceu uma política de genocídio. Em 1998 em um plebicito organizado pela ONU, os habitantes votaram pela independência. Milícias massacraram suspeitos de terem votado pela independência. Somente em 2002 o Timor Leste tornou-se independente, tendo como presidente eleito o líder Xanana Gusmão.

A Austrália alega que o país foi mal-administrado. Sei pouco sobre o assunto. O caso é que estão todos em alerta. Tropas australianas já chegaram ao país, alguns voluntários e estrangeiros estão partindo. A ONU já está criando abrigos para refugiados.

No site Crocodilo Voador, Rosely Forganes (que eu conheci no Orkut) apresenta muitas informações sobre o país e sobre o trabalho de brasileiros por lá.

Por que eu me importo? Não sei explicar. O mundo tem uma série de áreas em conflito, com pessoas vivendo em situação desumana, inclusive nas nossas favelas. Não consigo ficar apática. Quanto mais eu fico sabendo sobre elas, mais eu me importo.
Outras informações aqui. Assim como informações turísticas.

Desejo do dia: satisfazer desejos materiais.

segunda-feira, maio 22

Um questão: princípios

Quanto aos anos 80, eu só posso falar das minhas impressões e não me arrisco a falar das impressões dos jovens de outras épocas, nem dessa mesma. Aliás, deveo reclamar dos meus contemporâneos, que escrevem pouco sobre isso.

Eu poderia afirmar que ser jovem é sempre difícil em qualquer época, mas logo vai aparecer alguém dizendo que teve uma juventude tranqüila. Cada um de nós tem a sua impressão, a sua perspectiva a respeito do mundo e da sua história. Eu só posso falar de mim e brincar com a minha experiência dos anos 80, sem nunca descrevê-la de forma total, nem para mim mesma. Já comentei aqui que, nas leituras que fiz dos meus diários, descobri que muitas vezes eu não pensava como eu lembrava que pensava.

Admitindo que todas as épocas trazem dificuldades e que há sempre a promessa de um mundo melhor, pergunto: será que nós vivemos no mundo melhor que alguém sonhou? Ou apesar de todas as tentativas, esse objetivo nunca foi alcançado? E sendo assim: um mundo melhor é possível? Como diz o pessoal do Forum Social Mundial, "um outro mundo é possível"?

Bom, um mundo melhor para quem? Em que sentido? Com quais meios? Afinal, os terroristas também não estão lutando por um mundo melhor?

Dentre esses devaneios, um ponto chama a minha atenção, a questão dos princípios. Que princípios regem a minha conduta e embasam o meu mundo ideal? O que acredito ser certo? É o mesmo que pensam os outros? Quem está certo? Qual o problema de pensarmos de forma diferente? O que vamos fazer com essas diferenças? Lutar até que um de nós vença?

Penso que todos deveríamos ter claros nossos princípios. Não somente os que são impostos pela ONU ou pelas religiões, mas os que realmente guiam nossa postura, nossas atitudes e sonhos.

Se acredito que todas as pessoas são iguais e têm os mesmos direitos, em que condições eu me considero igual aos outros? Nem melhor, nem pior. Será que em algum momento eu não me considero melhor? Por quê? Em algum momento eu deixo de lado aqueles que eu digo que são os meus princípios? Como justifico isso?

Sim, é uma questão de ética, uma questão que deveria ser debatida nas escolas e em todos os âmbitos da sociedade. De outro modo, perde-se a noção de direção, de sentido de mundo. E não importa que os princípios sejam religiosos, pois se levássemos em conta os reais princípios do cristianismo e do islamismo, talvez tívessemos um mundo com maior paz.

Para ser coerente, preciso refletir sobre a relação entre o mundo que eu desejo e as minhas atitudes diárias. Como eu ajo com as pessoas de quem eu não gosto, como eu reajo quando estou contrariada, de que forma eu trato a mim mesma. Conheço algumas pessoas que dizem a amar a todo mundo, mas que tratam a si mesmas com creldade. Os ecologistas se perguntariam sobre a ecologia das relações entre cada um e o mundo, cada um e os outros e entre cada um e si mesmo.

Em verdade, ainda não tenho definidos todos os meus princípios. No meu caso, cresci num ambiente livre em crença e ao mesmo tempo, poderoso em exemplo. Agora, por não ter uma cartilha a seguir, tenho que buscar meus próprios parâmetros.

Alguém pode perguntar: para que ser coerente?

Mas, eu penso: existe outra forma de viver? Essa é a minha visão de mundo, que eu ainda não sei bem como explicar.

Desejo do dia: ler.
Da mesma forma, no mestrado, estou buscando a minha fundamentação de visão de mundo, para poder defender meu trabalho de desenvolvimento local. Não se parece, por enquanto, com nada que eu já tenha lido, mas tenho muito ainda para estudar.

quinta-feira, maio 18

Sobrou

"Depende de nós
Se esse mundo ainda tem jeito
Apesar do que o homem tem feito
Se a vida sobreviverá." (Ivan lins/Vítor Martins)

Nasci anos 70 e cresci nos anos 80. Desde então o Brasil está em crise. Já deveria estar antes, mas até então, meu mundo não existia.

A realidade que eu conheço hoje nasceu comigo e cresceu nos anos 80, certamente. A ecologia, a paz e os direitos humanos eram os temas das nossas musiquinhas. Sabia que eu tinha o direito a uma educação que eu não tinha, a uma saúde que eu não tinha e que meus pais tinham direito a uma economia que não tinham. O dinheiro nunca valia nada, os adultos ficavam nervosos, o governo não funcionava.

Não digo nem pela saúde e educação, pois as crises anteriores geraram pais criativos, mas havia poucos modelos de brinquedos. Quando um modelo era lançado, todos queriam ter. Eram poucos os parques e hoje parece que são até menos. O governo ainda não funciona, mas pelo menos os brinquedos atuais são ótimos.

Eu fui criança na época mais difícil para ser criança, dizem. Fui adolescente quando os jovens "não tinham perspectivas", quando as drogas e a criminalidade explodiram. Entrei na idade economicamente ativa na época em que se diz que não há mais empregos e ainda assim tenho vencido. E agora, que estou empenhada na construção do futuro, as notícias dão conta de que a Terra não vai ter muito disso.

Sou eu ou a sociedade que está virada? Pior, sempre aparece um animado para colocar em nós, os perdidinhos da década de 80, a responsabilidade pelas mudanças. Esqueceram que não deram à maioria de nós educação, nem saúde, nem tranquilidade, nem cidadania, nem brinquedos. Fácil isso de passar a conta para as gerações futuras.

Essa sociedade, criando gerações em clima de depressão, vai ter que catar os heróis no acaso, como a natureza o faz em suas peripécias evolutivas.

Enfrentamos as dificuldades com boa intenção, como nos ensinaram nas musiquinhas, só para descobrir que ainda temos que construir o que não estava ali.

Tá bom, tá bom. Vou fazer esse esforço, mas da próxima vez, já quero nascer num futuro melhor.

Desejo do dia: bom, na verdade eu sou muuuuuuuito mais otimista e feliz com a minha infância do que isso. Desejo que meu trabalho continue dando certo.

quinta-feira, maio 11

O que ando fazendo

Tenho andando envolvida com o mestrado, que iniciou em março.
Muuuuito envolvida. Eu não sabia que sabia tão pouco.

Minha pesquisa é sobre gestão do investimento social. Muitas empresas, ONgs e governo investem em questões sociais, mas dificilmente há uma integração entre esses investimentos e pouca avaliação de resultados. Então eu vou escolher uma comunidade e estudar o quanto está sendo investido nela, pelas diferentes fontes e como esse investimento é gerenciado. O foco do meu estudo serão os projetos para jovens. Bom, isso é o que eu penso em fazer, agora, no começo do curso.

Não sei se vou decobrir alguma coisa que vai me fazer mudar de idéia, mas sei que quero fazer algo sobre isso: http://www.laboratoriodedesenhos.com.br/corrente_page.htm

Desejo do ano: aprender.

segunda-feira, fevereiro 27

Minha família

Minha família não é tradicional no sentido de ter uma grande e conhecida árvore genealógica. Não conheci meus avós. Meus pais sairam de casa jovens. Meu pai saiu do interior da Argentina e foi morar em Buenos Aires. Minha mão saiu do litoral do Rio Grande do Sul para trabalhar em Buenos Aires.

Estes dias descobri o nome dos meus bisavós maternos. Adorei estes: Eulália e Bertoldo. Nomes antigos. Também tive as avós Diamantina e Rosa, os avôs Francisco e Joaquim. Como terão sido eles? Outro dia li que os espíritas dizem que nascemos sempre na mesma família.

Assisti "As Cruzadas" ontem e pensei que, com tantas guerras, doenças e desastres na história da humanidade, meu DNA ter chegado até aqui é coisa de sobrevivente. Aliás, o DNA de todos os que existem hoje.

Mas, enquanto muitos conhecem a história de seus antepassados, a minha está espalhada pelo mundo. O que não me dá direito a nenhuma espécie de preconceito ou de prepotência.

"Minha família conheceu o início do mundo;
Cuidou de ovelhas, de camelos e de cavalos,
Produziu jóias, roupas e obras de grande beleza.
Esteve no Oriente.
Presenciou a luz do homem de Belém.
Seguiu para a Europa, foi até Stonehengue,
Mas fugiu do frio, voltando para o Mediterrâneo.
Resistiu à idéia das cruzadas,
Mas não à de um novo mundo.
Nele chegando, foi até as cataratas.
Encantou-se pelo litoral.
Aqui, nas Américas, vagou entre impérios.
Compreendeu os segredos das florestas, dos animais e da vida.
Conheceu os Andes e as águas termais.
Desceu para as proximidades do mar.
Minha família teve poucos guerreiros e muitos sacerdotes.
E viveu grandes as aventuras humanas.
Eu sei, porque eu estava lá."


Desejo do dia: inspiração

segunda-feira, fevereiro 20

Brasileiros no Oriente - e nós aqui

Momento fotoblog total para colorir esse site. Eu e o Bru numa formatura no sábado, lindinhos, horas antes de eu passar muito mal e ter que abandonar o baile. Amo vinho tinto seco, mas se eu passar dois goles da segunda taça, fico péssima. E nem era um vinho ruim. Uma lástima!

Essa semana também teve momento nostalgia. Respondi um e-mail de um casal que está indo morar em Hong Kong e tem dúvidas. Fiquei com saudades as bandas de lá. Em 2003, quando eu e o Bruno fomos morar em Hong Kong era mais raro saber de alguém, mas de lá para cá, muitos conhecidos estão fazendo o caminho do Oriente. No entanto, é uma viagem que ainda suscita muitas dúvidas.

Entre as perguntas que respondi, estavam essas:

"1) Boas maneiras... como funciona? Como posso me portar para ser mais diplomático possivel, pois não estarei de passagem somente, acho que é importante saber conquistar o povo de lá.

2) Qual a média de gasto por dia... café da manhá, almoço, jantar?

3) O transporte é muito caro?

4) Telefonia?

5) Gostaria de chegar lá e comprar um lap top pra minha esposa poder ficar conectada... tem idéia de quanto vou gastar?

6) Como funciona a internet de lá? É muito caro?

7) Existe alguma comunidade de Brasileiros?

8) Minha empresa fica em Kowloon... é uma área residencial também?.. caso não seja, qual a área mais próxima e com custo razoável para se morar.

9)Gostaria de ficar em um lugar agitado, cheio de restaurantes fast foods e outras lojas de conveniência e serviço... pra facilitar pra minha esposa."

Ufa!!! Desejo uma viagem fantástica para eles.

Depois coloco a resposta no site, junto com as outras.


Será que quando a gente quiser estudar na Espanha vai ter alguém para nos ajudar?

Desejo do dia: tranqüilidade.

quarta-feira, fevereiro 15

Campanha mundial contra indústria de peles

Fui uma daquelas crianças que amavam animais de todos os tipos e levava os que encontrava na rua para casa. Depois estudei Direito Ambiental, fiz estágio na Fundação do Meio Ambiente de Santa Catarina e na Coordenadoria do Meio Ambiente do Ministério Público e tive vontade de escrever algo sobre Direito dos Animais. Depois, passei a trabalhar com o desenvolvimento local e nunca mais tive tempo de voltar a esse projeto.

Segunda-feira aconteceram protestos mundiais contra o comércio de peles.

Não sou ativista por inúmeros motivos. Ainda uso calçados e bolsas de couro, embora não ache justo o argumento de que "eles iam morrer de qualquer jeito". Não acho que a indústria de carnes seja sustentável, "acho" que a abertura de pastos e as platações de soja para ração são grandes causas de desmatamentos, inclusive na Amazônia, entre outras coisas que "acho". Teria que estudar muito mais para defender uma causa.

Só sei que é algo que me machuca.

Em Hong Kong, vi os animais sendo tratados como comida, amontoados, como se não sofressem. Conversei com uma moça coreana sobre o hábito de servir a lagosta viva, tirando o carpaccio do bichinho aos poucos. "É uma delícia!" - disse ela. "Você acha que ela sente?" - completou, diante do meu espanto. Eu poderia citar uma infinidade de exemplos de como a cultura por lá era insensível ao sofrimento dos animais-comida. A caça existe na natureza, mas os leões sufocam suas presas antes de devorá-las, não?

Eu raramente como carne, mas não defendo o vegetarianismo. Só penso que a nossa indústria de carnes é muitas vezes cruel. Mas é muito difícil discutir sobre isso. Sobre o assunto, há um vídeo legal, o Meatrix.


Há uma indústria de peles que vive da crueldade, como demonstra esse vídeo chocante. Não acho que todos devam assistir (A Internet está cheia deles). Não é preciso ver uma violência para saber que ela é horrível. Quando visitei a Muralha da China, vi uns camelôs vendendo peles. Lindas, fofinhas. Algumas na forma dos bichos. Baratinhas. Parecia evidente que não deveriam ter saído de um criadouro.

Muitos ainda vêem a caça, o desmatamento como uma questão de sobrevivência. Essa é uma discussão muito difícil.

Mas que dói, dói.

Desejo do dia: motivação.

domingo, fevereiro 5

Capra

Esta segunda eu e o Bruno assistimos a uma entrevista com o Capra, no programa Roda Viva.

A primeira vez que li um texto dele foi na aula de Economia Política, numa das primeiras fases do Direito. Foi um trecho do livro "Sabedoria Incomum". Gostei das idéias apresentadas, em contraposição ao que já havíamos lido de teorias econômicas.

Em 2002 eu fui ao Forum Social Mundial porque sabia que ele estaria lá. Ainda tive a oportunidade de ver o Eduardo Galeano, que, com "Veias Abertas da América Latina", despertou em mim uma visão crítica sobre a nosso continente.

Capra tem uma grande sensibilidade para perceber as mudanças que estão acontecendo no mundo. É um grande observador e além disso, é muito eloqüente. Por isso é sempre bom ler o que ele escreve e ouví-lo falar.

Quando escreveu "O Tao da Física" chamou a tenção para o fato de que a maneira ocidental de ver o mundo estava de acordo com premissas que estavam sendo modificadas pelos modernos estudos da Física. Ele percebeu que a ciência estava descobrindo um mundo muito mais parecido com a filosofia oriental. Será que é por isso que o oriente está dando esse grande salto? Por estar mais apto aos paradigmas da sociedade do conhecimento? Amei o tempo que vivi na Ásia e Hong Kong conquistou meu coração. Está junto de Buenos Aires, a cidade onde nasci e de Florianópolis, onde moro. Mas é muito difícil descrever o que se vive lá.

Capra comentou que um dos grandes centros mundiais de Agroecologia do mundo está em Florianópolis. Aqui! E eu nem sabia.

Minha dissertação de mestrado, que vai começar este ano, trata da formação de redes de organizações sociais. Vou usar muito as idéias de Capra e seus amigos.

Como ele falou três vezes de Florianópolis no programa, sei que tenho uma boa chance de conhecê-lo e quem sabe, de trocar algumas idéias.

E por falar em Florianópolis, a maravilhosa viajante Lúcia Malla, avisou sobre uma reportagem sobre Floripa que saiu lá do outro lado do mundo. Como dizem os adolescentes "é nóis na fita", duas vezes.

Desejo do dia: ser responsável.

quarta-feira, janeiro 25

Os esquecidos

E por falar em Ruanda, a ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF) acaba de divulgar uma lista com as dez crises humanitárias mais negligenciadas pela mídia em 2005.

São citados o norte de Uganda, o Sudão, Costa do Marfim, República Democrática do Congo, a Chechênia, o Haiti, a Somália, a Colômbia e o
Norte da Índia, onde a população passa por situações de enorme violência, mas que não chamam a atenção da mídia. Também é citada a ausência de atenção e a quase total falta de pesquisa e desenvolvimento de novos instrumentos específicos para os portadores de HIV/Aids de baixa renda.

Aqui em Floripa a violência costuma ser notícia, mas a miséria já deixou de ser há muito tempo.

Uma questão de prioridades.

Desejo do dia: encontrar o caminho.

segunda-feira, janeiro 23

Poesia

"Que dias há que na alma me tem posto
um não sei quê,
que nasce não sei onde,
vem não sei como
e dói não sei porquê."
(Luis de Camões)

Se a arte é uma tradução universal das emoções da alma, então é preciso ter uma alma falante para ser artista.

Foi preciso Camões para traduzir meus suspiros.

No caos em que anda o mundo e ciente da minha responsabilidade para com ele, não me dou o direito de reclamar, que há muito ainda a ser feito.

Mas é preciso ser artista para seguir em frente quando todas as coisas começam a sussurrar: "durma, durma...". Quando lá no fundo há euforia, mas isso, que vem não sei de onde, provoca o nocaute da preguiça e do desalento.

No momento, só um beijo apaixonado pode me acordar.

Desejo do dia: acordar.

segunda-feira, janeiro 16

Hotel Haiti

As notícias que chegam do Haiti me fazem lembrar um ótimo filme que assisti há pouco tempo "Hotel Ruanda"*, chorando. Em 1994, quase 1 milhão de pessoas foram mortas em cerca de 100 dias, sem que isso interessasse muito a ninguém fora de Ruanda.

Há quem possa dizer que é coisa lá deles, que se odeiam. Mas, segundo historiadores, a diferença étnica entre Hutus e Tutsis não existia realmente. Sempre foi algo mais ocupacional, chamavam a elite e criadores de gado de Tutsi e os agricultores de Hutus. Eles falavam a mesma língua casavam entre si e eram difíceis de distinguir. Quando os belgas colonizaram a região, fizeram um senso estabelecendo que os habitantes mais altos e de pele mais clara, narizes mais finos seriam Tutsis, deram a eles o poder e cargos públicos. Os de pele mais escura ficaram nos campos e foram chamados de Hutus. Foram emitidas carteiras de identidade definindo as etnias. Antes de ir embora, os belgas deram o poder para os Hutus. Fomentaram a separação étnica e o rancor. Por conta desse ódio, quase um milhão de pessoas foram assassinadas a tiros e golpes de facão. Bom, muitas outras atrocidades continuaram acontecendo.

A história traz um daqueles momentos de lucidez, nos quais lembro que "existem mais eventos acontecendo no mundo do que o que aparece na mídia". Ainda que aceitemos que não seja de caso pensado, os editores decidem o que nos interessa ou não saber. Se eles não noticiam, não fico sabendo, ainda que ocorra algo do meu interesse na cidade ao lado.

A Internet altera um pouco isso ao criar um novo canal de comunicação, todavia com restrições.

Poucas são as criaturas nesse mundo que podem desfrutar do modo de vida "estudo-lar-compras-viagens-carreira-aposentadoria". Poucos vivenciam esse modelo, muitos correm atrás e uma imensa parte da população mundial nem imagina o que seja. A mídia é feita para os sonhos da minoria.


Os editores não incluem nesse sonho a nossa responsabilidade com o restante dos seres humanos. Se estão isolados na África, não ameaçam grandes riquezas como o petróleo, não nos afetam, não são de interesse?

Quando eu era voluntária na Crossroads, em Hong Kong, assisti uma apresentação dos voluntários que estiveram visitando Uganda, onde as crianças são raptadas para lutar nas milícias. Antes, são forçadas a atear fogo em suas vilas e a matar membros da sua família, assim, não terão para onde voltar caso consiguam fugir. Outros voluntários manda notícias de Jeruzalém, a cidade sagrada, onde havia toque de recolher, racionamento de tudo e bombas explodindo. Outros estiveram no Afeganistão...

Aqui ao lado, nas favelas de umas das cidades com o maior índice de desenvolvimento do País, ninguém noticia histórias que poderiam gerar tristes roteiros de filmes.

Sobre a América Latina também noticiam pouco. Acontecerá no Haiti algo como em Ruanda?

Não sou comunista, nem socialista e se tivesse que me filiar a algum partido, seria o Partido Verde. Mas sei que os eventos não andam bem e que precisamos de uma nova maneira de viver.


*Um outro filme que mostra um pouco dessa realidade, mas de forma bem artificial, é "Amor sem fronteiras" com Angelina Jolie. Também estou com muito vontade de assistir "O Jardineiro Fiel".

Desejo do dia: fé.

segunda-feira, janeiro 2

Absurdo II - o incrível caso do professor "desconvidado"

Eu tive aula com o Professor Rubens na ESAG. Foi um dos melhores professores, homenageado pela nossa turma e por tantas outras. Não merecia isso:

"Excelentíssimo Dr. Professor Rubens Araújo de Oliveira

Nós da comissão de formatura 2005/2 dos cursos de Administração, Turismo, Jornalismo e GSI da faculdade Estácio de Sá de Santa Catarina, vimos por intermédio desta, comunicá-lo de uma situação que nos deixa muito constrangidos e de certo modo frustados: Há alguns meses, em visita pessoal entre os membros da comissão de formaturaà Vossa Senhoria, solicitamos e fomos prontamente atendidos e correspondidos na solicitação do convite, que muito nos honraria, para homenageá-lo como Patrono das turmas acima mencionadas. Até então, também foi abordado a possibilidade de um auxílio para amenizar os custos referentes a formatura.
Hoje pela manhã, fomos informados formalmente que o auxílio que poderia ser repassado aos formandos seria de R$ 1.000,00, que entendemos que esteja dentro das suas atuais possibilidades financerias. Ao repassar esta informação, a comissão e os demais formandos ficaram em uma situação delicada em face da dificuldade em completar o orçamento. Os mesmos reagiram e sugeriram o auxílio de outra pessoa, que era também cogitado aser homenageado, cujo valor disponibilizado amortizará o custo relativo ao local da colação de grau , pois contávamos com a disponibilidade do novo auditório da Estácio.
Então, diante desta situação extremamente complicada, nós da comissão acatamos o que a maioria dos formandos optou, que é de homenagear como Patrono a outra pessoa que fará uma contribuição mais elevada.
Gostariamos de agradecer o aceite e o comprometimento, nos desculpar pela alteração e pelo não cumprimento do convite que fora gentilmente aceito pelo senhor, mas diante dos fatos, a maioria decidiu que seria mais justo homenagear a pessoa que se propôs a fazer a maior contribuição para com osformandos.
Ficamos no aguardo de um retorno do recebimento deste.Atenciosamente;Alex ( ADM ) / Sabrina ( TUR ) / Deise ( JOR ) / Rafael ( ADM ) / Juliana(TUR ) / Mônica ( GSI ) Comissão de formatura 2005/2"


RESPOSTA DO PROFESSOR:

"Prezados Acadêmicos da Comissão de Formatura dos Cursos de Administração, Jornalismo e Turismo 2005-2,

Vocês não devem se sentir constrangidos. Frustados sim. Constrangidos nunca!
Quem sabe este constrangimento não setrata de vergonha! Ou falta de caráter! Ou ainda falta de ética!
Entendo que estou "desconvidado" para ser Patrono . Em minha vida de quase 30 anos como professor, devo ter sido patrono, paraninfo, nome de turma e homenageado -dezenas de vezes. Jamais imaginei que formandos convidassem e"desconvidassem" patronos por dinheiro! Enfim, sempre há uma primeira vezpara tudo.
Se eu utilizasse a mesma moeda (literalmente) é uma pena não ter sido comunicado antes... Neste caso, por idêntico critério não teria pago minha parte como "patrono" na última festinha de confraternização dos formandos.
Meus queridos ex-futuros afilhados:Eu é que me sinto constrangido. Decepcionado. Surpreso. Triste mesmo!
Constrangido porque pensei que o convite realizado fosse uma homenagem ao Ex-Diretor Geral da Estácio pela sua capacidade de administrar e levar adiante um projeto que em cinco anos tornou-se a maior escola de administração de SC.
Todos os cursos que ora estão se formando obtiveram a nota máxima de avaliação do MEC.
Patrono é isso: uma pessoa que os formandos entendam deva ser exemplo na área de atuação dos cursos.
Decepcionado porque pensei que nossos alunos honrassem o título de Bacharel após quatro anos muita de luta e sacrificio.
Patrono é isso: uma pessoa que dignifica a profissão.
Surpreso porque jamais imaginei ter sido "comprado" como Patrono. Isto é, fui "eleito" pelos formandos somente porque iria dar dinheiro para aformatura. Patrono não é isso. Patrono não se vende.
Triste porque vejo que não consegui - após quatro anos de curso superior mudar os valores de alguns alunos da Estácio SC.
Patrono é isso: uma pessoa que possui valores que prezam pela ética, moral, honra e palavra. Sinto-me aliviado. Dormirei melhor... Não consegui comprá-los por R$1.000,00.
Obviamente a honraria de ser patrono vale muito mais que isso. Tivesse eu as qualidades de um patrono acima citadas - talvez me sentisse"enojado" com a situação. Como não as possuo, sinto-me aliviado em ter poupado um dinheirinho que seria gasto com pessoas das quais me envergonho ter sentido alguma consideração de relacionamento.
Assim sendo, e como não resta alternativa com muita alegria aceito o"desconvite".
Entendo que outros formandos não devem compartilhar da mesma opinião dessa Comissão. À estes desejo sucesso e sorte. À Comissão de Formatura e aos outros que trocaram o patrono por dinheiro o meu desprezo.
Seguramente a vida lhes ensinará o que a faculdade não conseguiu!
Por último, desejo à todos a felicidade da escolha de um Patrono bem rico!
Que ele possa pagar todas as despesas e contas... Seguramente a maior qualidade do homenageado.
Que tenham uma excelente formatura.
Estarei lá - presente na qualidade deprofessor da Estácio .
Digam ao acadêmico orador - que em seu discuro não fale em qualidades dignas do ser humano. Muito menos em decência, honra,moral e ética. Se assim o fizer - irei aparteá-lo e chamá-lo de mentiroso!Atenciosamente,
Prof. RUBENS OLIVEIRA, Dr
Ex-futuro Patrono dos Cursos de Adm, Jor e Tur da Estácio de SC"


Desejo do dia: caminhada

segunda-feira, dezembro 26

Absurdo!

O texto abaixo é um parecer da Deputada Juíza Denise Frossard e me fez pasmar. Inclusive porque participo de uma rede catarinense para inserção de pessoas com deficiência no mercado de trabalho. Na univerisdade, uma das minhas alunas está fazendo um trabalho sobre a boa influência que uma pessoa com deficiência traz para o ambiente de trabalho. Eu, que já tive a felicidade de trabalhar com essas pessoas, sei bem.

O projeto estabelecia como crime a discriminação de pessoas em razão de doença de qualquer natureza. Em seu parecer, Frossard diz que “na prática, será muito difícil distinguir o preconceito do instinto de conservação” e que “poucas pessoas sentem prazer em apertar a mão de uma pessoa portadora de lepra ou de Aids. A discriminação é válida quando se trata de doença contagiosa ou de epidemia que coloca em risco a vida e a saúde da comunidade.”
Não é uma questão de prazer. Para que dizer que a discriminação é válida? Ela poderia ter dado seu parecer de outra forma.

As reações dos movimentos sociais foram imediatas. Segundo Regina Atalla, do CONADE, "Seria muito bom que a nobre deputada incluisse também que ninguem é obrigado a suportar as deformidades de carater, principalmente daqueles que são pagos pelo erário publico para legislar pelo bem comum."

"A deformidade física fere o senso estético do ser humano. A exposição em público de chagas e aleijões produz asco no espírito dos outros, uma rejeição natural ao que é disforme e repugnante, ainda que o suporte seja uma criatura humana. Portadores de doenças e deformidades costumam freqüentar locais públicos exibindo as partes afetadas do corpo, não só com o intuito de provocar comiseração, como também, com o propósito de afrontar a sensibilidade dos outros para o que é normal, saudável e simétrico.
Ninguém é obrigado a ser herói, dizia Nelson Hungria. Ninguém pode ser obrigado a suportar a doença e a deformidade alheia, contrariando a sua própria natureza. Há pessoas vocacionadas para a missão de curar o espírito e o corpo dos seus semelhantes, como os sacerdotes, analistas e médicos. Essa vocação não é de todos. Por isso mesmo, não se há de punir quem não seja vocacionado. Entretanto, aquele que manifesta preconceito ou discrimina, sem justa causa, de modo a humilhar e causar sofrimento ao portador de doença ou deformidade merece punição no juízo cível, pagando indenização por danos morais e, em caráter temporário, ser proibido de exercer a sua profissão ou ter interditado o seu estabelecimento, se for o caso. O juiz tem condições de avaliar os fatos e a punição cabível na esfera cível, sem necessidade de ingressar na esfera penal. " (grifo nosso)
Destarte, voto pela rejeição do projeto de lei nº 5.448 de 2001.
Sala da Comissão, 14 de setembro de 2004
Deputada Juíza Denise Frossard Relatora
Bento Gonçalves, 16 de Dezembro de 2005.

"Como resposta a este parecer que banaliza principios odiosos e estimula sentimentos nazistas, foi decidido pelo conade as seguintes providencias:
1 -Redação de moção de repudio vemente a este parecer e a atitude da deputada, com ampla divulgação para entidades e imprensa
2 - Apresentação de denuncia a Procuradoria Federal de Direitos do Cidadão do Ministerio Publico Federal
3 - Denuncia a Comissão de Etica da Camara, argumentando a quebra do decoro parlamentar, com possivel perda do mandato
4- Reuniao de uma comissão do Conade eleita em plenario com o Presidente da Camara Federal, para cobrar providencias a este descalabro.
É preciso que nos mobilizemos para repelir este absurdo e exigir as providencias e punições cabíveis. Vamos dar a nossa resposta a altura, divulgando este absurdo para o maior numero de pessoas. Abraços, Regina Atalla"

Penso que é preciso aprender a conviver com as diferenças, que, mesmo quando as aparências externas chamam a atenção, já dizia Saint Exupery e, de certa forma, pregam as mais diversas religiões, "só se vê bem com o coração, o essencial é invisível aos olhos".

O vídeo a seguir mostra o quanto podemos aprender com essas pessoas (ou melhor, com qualquer pessoa, porque quem é perfeito?). Esse vídeo sempre me faz chorar, principalmente quando o Papa desce do palco para cumprimentá-lo: Tony Melendez.

Desejo do dia: Feliz Natal, Feliz Ano Novo e mais humanidade.

terça-feira, dezembro 20

PASSAMOS!!!!

PASSEI PARA O PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA DE PRODUÇÃO DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA!!! O BRU TAMBÉM! VAMOS ESTUDAR JUNTOS! SÓ QUE ELE É ENGENHEIRO E EU NÃO...

Meu projeto fiz sobre sistemas de gestão do conhecimento para redes sociais. O estudo de caso será em organizações que realizam ações para a juventude. Pelo menos foi o projeto que mandei, mas dizem que os professores empre mudam alguma coisa.

VIVA!!!!!!!!!! CONSEGUI!!! VOU FAZER MESTRADO!!!

Desejo do dia: completamente realizado!!!!

quinta-feira, dezembro 1

Matrix

"O universo material é concebido como uma uma rede ou teia dinâmica de eventos inter-relacionados. Nenhuma das propriedades de qualquer parte dessa rede é fundamental; todas decorrem das propriedades das outras partes, e a consistência global das suas inter-relações determina a estrutura da rede toda" (Capra, Sabedoria Incomum, 1998, p.42)

Não é como se uma parte de mim tivesse ficado na Ásia. Uma parte de mim está na Ásia, mandando notícias das calçadas, constantemente. Deve estar sendo vista como um fantasma pelos médiuns transeuntes.

Tem uma parte de mim no futuro também, transitando pelo prédio da ONU em NY.

Ando conectada com todas essas partes. Com a minha infância e adolescência e provavelmente com vidas passadas e futuras. Eu não vivo, eu vibro.

A única coisa que me preocupa é uma consciência muito clara do meu livre-arbítrio e da minha responsabilidade para com este mundo. Estarei tomando as decisões corretas? A medida dessa pergunta deve ser o fato das coisas estarem sempre dando certo.

O conceito de redes está cada vez mais claro para mim. Nesse caos em que se encontra o mundo, tenho um insight de que o futuro está nas conexões que as pessoas e instituições farão entre sí, que são facilitadas pela tecnologia e que estão cada vez mais sinceras.

Deve ter sido algo que tomei na Ásia.

"É bom saber que se eu for suficientemente estranho a sociedade vai me aceitar e tomar conta de mim." (Ashleigh Brilliant)

Desejo do dia: de agradecimento a todos os seres que cuidam de mim.

quarta-feira, outubro 26

Professorando

Entre outras coisas, estou dando aula na universidade. Todas as impressões que eu tinha a respeito dos professores estavam erradas e tenho a impressão que um aluno nunca vai compreender realmente um professor e como essa relação funciona até que se torne um. Assim como um filho não compreende completamente os pais, imagino.

Eu imaginava que era mais uma no meio de uma turma e não compreendia como um professor tem noção exata do desempenho de cada aluno e como uma nota é muito mais que o resultado de qualquer exama. Pensava a relação aluno-professor como burocracia. Mas eu me preocupo se cada um está aprendendendo, sei quais estão interessados e quais estão enrolando, dou mais atenção para aqueles que me pedem e percebo que eu poderia ter aproveitado mais a universidade se tivesse a consciência de que os professores sabiam que eu estava ali.

Mais do que isso, os professores conversam entre si e trocam opiniões sobre os alunos (trocavam sobre mim?). Numa cidade pequena como Florianópolis, isso pode fazer diferença na vida profissional. Eu mudei bastante desde a universidade, quando era um pouco relapsa, embora tivesse boas notas. Espero que tenha uma chance de mudar qualquer má impressão.

Desejo do dia: matar as saudades dos amigos da Internet, que só tenho visitado em silêncio. Será que um dia vou ter tempo de novo?