sábado, maio 24

El Mar

Tarefa da aula de literatura. Tema: el mar.


El mar

Casi todos los días vengo hasta la playa para sufrir. Tengo mucho miedo del mar, como tengo miedo de ti. Sin embargo, no me ves huir. Sigo adelante y me paro en la orilla, sabiendo que debería estar corriendo en la dirección contraria. ¡Tan estúpida! Entierro mis pies en la arena y me voy hundiendo aun más, toda vez que me besan esas aguas cálidas.
La superficie parece calmada. Las olas suaves musitan promesas de un buceo inolvidable. Un placer por el cual valdría la pena arriesgar la vida. Pero las aguas no son sinceras en sus intenciones. Veo la tempestad por detrás del horizonte. Quizá, lo que yo más desee sea que una tormenta o una ola gigante me sorprenda, me atrape y me lleve hasta el fondo. Como deseo tu abrazo y la alegría y el pavor que él me hace sentir.
Escapo de una ola que me quiere lamer las piernas. Me aparto, pero no me voy. ¿Por qué no viene el verdadero amor a salvarme y llevarme lejos de este litoral?
Con mi corazón, pregunto al mar:
¿Si me dejo llevar, sólo una vez, me destruirás?
Pero él no sabe oírme. Pregunto otra vez, con mis ojos:
¿Me puedo aventar y volver a la tierra, entera, limpia y tranquila?
Pero él tampoco entiende mi mirada. No tengo ningún efecto sobre él. No me habla.
Si me aviento, sé que seré devorada. Pues es todo lo que quiere el oceano. Es el destino de los aventureros.
Sigo caminando en la orilla de esas aguas de color sobrenatural, que de mirarlas ya me hacen temblar.  No tengo ganas de huir, pero tampoco me quiero morir. Parezco calma, pero no tengo ninguna paz.
Este mar me atormenta. Este mar son tus ojos.
Desejo do dia: olhares.

sexta-feira, janeiro 17

Comecei a escrever uma história mulherzinha. Não tenho como fugir dela porque os personagens ficam conversando dentro da minha cabeça.

Ao mar
No final da tarde, recebi um e-mail de Laura. Não sei de onde tirei ser sua amiga se até hoje ela não me olha direito nos olhos. Mandou-me uma foto de Ipanema e escreveu:
“Eu só queria vir para a praia, deitar entre a areia e o oceano, onde a vida está constantemente em agonia. Onde as criaturas se enterram e as abelhas morrem. É o mais próximo que a maioria dos seres humanos chega do mar. É um limite. 
Tenho medo dessas águas, como nunca tive.
Quando eu era uma menina e admirava o mar e tantas outras maravilhas, pensava que esse mundo com certeza era sagrado e que, portanto, eu também o era. Mas agora só penso que tudo o que existe é melhor, mais perfeito e mais importante do que eu.
À beira desse oceano, tenho certeza de que a única coisa extraordinária que tenho a oferecer à vida, é a minha morte.
Se todas as aventuras já foram contadas e todas as histórias vividas, por que continuamos a nascer nessa terra escura? Por que todos os tempos parecem ter sido melhores do que este? Nunca existiu tanta gente. E a cada dia que passa, torno-me mais insignificante, diante dos milhões que nascem.
Se em tempos distantes eu acreditava que tudo não passava de um teste para me fortificar e me preparar para uma grande missão na vida, hoje sei que não passa da mesma miséria na qual nascemos todos. A mesma estúpida miséria sem nenhum sentido.
Se eu tive alguma chance, se todos a temos, ela passou para sempre. É inútil acreditar que ainda é possível. Os anos passaram e eu não tive tempo de ser ninguém. Não estou velha, mas é só velhice o que tenho pela frente.
Deus? Se existir, só tenho medo dele, que me fez esse ser humano impotente. Somente para rir das minhas esperanças perdidas. De todos os sonhos que tive antes de dormir. De todas as manhãs que chegaram com indiferença.
Não tenho nem mesmo um pecado significativo do qual me arrepender, além dessa constante infidelidade de pensamento.
O Rio de Janeiro é lindo! Avise a todo mundo que vou ficar morando aqui.”
Assim que terminei a leitura, aconteceu o primeiro dos muitos eventos estranhos que se seguiram à mensagem de despedida de Laura. O tempo parou pela primeira vez. Olhei para o relógio e eram cinco para as seis. Trabalhei mais um pouco e ainda eram seis horas. Em cerca de meia hora, ainda eram seis e dez.
Tive que responder àquela bêbada, imaginando-a de biquine, estendida à beira da praia, fervendo, consumida pelo seu constante mau-humor e protegida pela sua ainda mais constante sorte.
Escrevi uma resposta: “Por mais cética que uma pessoa deseje ser, por mais racional que seja seu modo de encarar a vida, é a vida. Não há nada de normal nisso. Mesmo que você não seja capaz de ver, de ouvir ou de sentir. Ainda que esteja paralisada em um corpo inerte. Ainda haverá você e não há nada de normal em estar aqui. Eu não posso explicar o significado de tudo isso, nem ensinar a ninguém como viver porque eu só vivi desta vez. Se vivi outras vezes, não adianta, porque eu não me lembro (portanto, é inútil considerar isso). No fim das contas, eu sou a coisa mais extraordinária que eu posso imaginar. Se eu estou aqui trabalhando e você está estirada em Ipanema, é porque esse mundo não é justo. É tudo o que eu sei. Tome uma caipirinha por mim. E não se preocupe. Ninguém espera você aqui tão cedo.
Enviei a resposta e esperei para ver se o tempo voltava a correr normalmente.
Não sei porque lembrei que a maluca não fez a primeira comunhão. Conclui que isso influencia bastante nas suas filosofias de ressaca.
Há muito tempo que ela faz da minha caixa de entrada um confessionário. Apesar de tudo, foi a melhor chefe que já tive. Não sei se ainda é.
Resolvi levantar e avisar ao pessoal que provavelmente Laura não voltaria até o final do Carnaval.
Recebi um What´s up: ”Você não é muito esperta, mas é sincera. Não sei bem qual é a vantagem, mas obrigada mesmo assim.”
Mais tarde outro: ”Você não sabe de nada.”
Em alguns segundos: ”É lua cheia.”
Eu ainda não poderia entender a relação entre essas mensagens e a série de eventos estranhos que se seguiriam.
A sua última mensagem foi uma foto tirada de dentro do mar, para a praia de Ipanema, com os dizeres: ”o mar mergulhando em mim.”
 
Desejo do dia: escrever.

terça-feira, dezembro 3

Opciones


En Español.

 
Si se trata de hambre del alma, ninguna pasión es tan poca que no merezca ser llevada a la boca.
Sin embargo, es fácil ir por la vida sin vivir las pasiones. Casi todo lo que lastima, puede ser mitigado.
El hambre, la indignación, la miseria, el disgusto, la ira, los deseos prohibidos.
Cualquier cosa puede ser pintada de color rosa, maquillada, suavizada por la psicología, reevaluada por el sentido común o intercambiada por alimentos, cigarrillos, medicamentos, ropa, ficción.
Lo difícil es tocar la carne, las heridas, enfrentar los resentimientos. Admitir lo obsceno, lo perverso, lo degradante, el fracaso. Provocar repugnancia, aceptar el dolor, aceptar la muerte, sacrificar las ilusiones edificantes e intercambiarlas por vida.
_ Ah, dejálo.
_ ¡Alto!
_ Píensalo bien!
_ Respira.
_ Dale la vuelta.
La ropa elegante esconde el latido del corazón. La mirada baja desprecia el deseo más ardiente. La sonrisa cubre una revuelta lacerante.
Y vamos pudriéndonos. No porque las heridas ocurran, sino porque son sufocadas.
Al negar los excesos, el miedo, la sangre, el sufrimiento, los gritos, tan legítimos y espontáneos, creamos los dolores más profundos y las más terribles tragedias. Por falta de alivio, por falta de vida.
Cuando desaparezca la humanidad, no será por eventos de extinción, más bien por pasteurización. Por inutilidad absoluta del alma.

Desejo do dia: Sabedoria.

 

 




Opções



Se é uma fome da alma, nenhuma paixão é tão pouca que não mereça ser levada à boca.
Mas é fácil passar pela vida sem viver as paixões. Quase tudo o que dói, pode ser amortecido.
A fome, a indignação, a miséria, a repulsa, a raiva, os desejos proibidos.
Tudo pode ser pintado de cor-de-rosa, maquiado, amenizado pela psicologia, reavaliado pelo bom-senso ou trocado por comida, cigarro, drogas, roupas, ficção.
Difícil é tocar a carne, as feridas, encarar as mágoas. Admitir o obsceno, o perverso, o degradante, o fracasso. Provocar repulsa, deixar doer, deixar morrer, sacrificar as ilusões edificantes e trocá-las por vida.
_ Ah, deixa pra lá.
_ Páre!
_ Pense bem!
_ Respire.
_ Contorne.
A camisa pólo esconde o coração pulsante. O olhar baixo dissimula o desejo mais ardente. O sorriso encobre uma dilacerante revolta.
Assim vamos apodrecendo. Não porque as feridas aconteçam, mas porque são abafadas.
Por negar os excessos, o medo, o sangue, o sofrimento, os gritos tão legítimos e expontâneos, criamos as dores mais profundas e as mais terríveis tragédias. Por falta de alívio, por falta de vida.
Quando a humanidade desaparecer, não será por eventos de extinção, mas por pasteurização. Por absoluta inutilidade da alma.

segunda-feira, outubro 22

México

Pirâmide do Sol em Teotihuacan. Anterior ao Império Asteca, ainda há muitos mistérios sobre a civilização que a construiu.

Depois de dois meses, a rotina do México começa a se organizar.
Nosso bairro, Coyoacan, é uma graça. Pequeno, tranquilo, histórico, hospitaleiro. As crianças já vão à escola. Já conheço as ruas pelo nome.
Comprei um livro de História para conhecer melhor os personagens que dão nome às ruas. Terminei de ler o excelente "O Asteca", o que já me ajudou bastante.
Tenho vontade de conhecer melhor o que vejo. Em uma primeira impressão, o que mais me chama a atenção é perceber como a alma asteca paira no ar, de uma maneira que nunca percebi nossas origens indígenas se sobressaindo no Brasil. Pelo menos não no Sul e no Sudeste e nas cidades das demais regiões que eu visitei. Quando observei uma influência indígena, parecia estar mais relacionada às tribos ou ao que restou delas, ao que existe hoje, não ao que existia antes da chegada dos portugueses. Como se a nossa missigenação nos tivesse transformado em algo totalmente novo. Não sou antropóloga. São apenas impressões.
Por aqui, em todos os aspectos da vida cotidiana, percebo a influência da cultura pré-hispânica. Nos nomes das ruas, na arquitetura, nas tradições, na alimentação, nos temas das artes plásticas, na moda, nas capas expostas nas livrarias. Também são ressalatados os mariaches, Frida Kahlo e Diego Rivera, mas chama a atenção o tema "astecas" e outras referências aos povos, tradições e artesanato de origem pré-hispânica.
Vejo com assombro de turista, que o Centro do Mundo Único, o coração de Tenochtitlán, capital do império asteca, destruída por Cortés, está ressurgindo no centro da cidade do México, por debaixo das antigas contruções espanholas. Em cima das ruínas do Templo Maior e do centro do universo asteca, os espanhóis construíram sua Catedral Metropolitana e edifícios de governo. Devido a fatores geológicos (ou por vondade dos deuses, segundo alguns) muitos desses edifícios estão visivelmente tortos e o que restou de Tenochtitlán está emergindo nas escavações recentes. No pátio inclinado da entrada da Catedral Metropolitana, centro histórico da Cidade do México, foram instaladas vitrines para o subsolo de forma que agora os turistas podem ver as pinturas coloridas dos prédios astecas que, pensava-se, haviam sido sublimados. As cores astecas voltam à luz do dia já que nunca foram realmente aniquiladas. Conheço pouco ainda do México, mas me parece que sob a máscara da nova civilicação, permanece a alma asteca. Essa é a minha primeira impressão.

Desejo do dia: que a nossa mudança chegue logo.

quinta-feira, maio 13

Bisbilhotando

Estava lendo as minhas agendas mais uma vez. Cada vez que faço uma arrumação no escritório não resisto e abro alguma para ter aquele sorrateiro encontro com a versão adolescente de mim mesma.

Não consigo definir se eu escrevia o que eu sentia ou o que achava legal sentir, ou o que achava legal escrever. Às vezes me questiono se as idéias eram minhas.

"Às vezes eu sinto que sou uma daquelas pessoas que morrem e todos ficam comentando como ela era boazinha."

É claro que a maioria dos temas era amor, embora eu tenha perdido alguns registros do objeto desse amor. Não importa, era sempre o mesmo desejo de amor em mim.

“Eu tenho um grande amor. Escrevo assim baixinho. Nem sei o quanto pode ser silenciosa uma palavra escrita.”

“Por que não posso fala de ti sem inventar?
Quando, na realidade, tu tens tanto daquilo que amo e conheço e pretendo, que eu não entendo porque não consigo te explicar. Por que se me fascinas tanto, tantas vezes, tenho no entanto, medo de te encontrar?”


Filósofa, insegura, piegas, enfim, adolescente.

Eu ainda adiantei uma resposta para as minhas indagações futuras. Oh, sim! Escrevi há alguns anos para a bisbilhoteira de hoje:

"O que alguns podem pensar que é um desejo irresistível de escrever, nada mais é do que não ter o que fazer.”

Tão simples!

Desejo do dia: Literatura.
Queria tanto encontrar um curso de ecrita criativa por aqui.

sexta-feira, dezembro 18

Tempo

A Lorena continua com dificuldades para pegar no sono, mas estamos avançando a cada dia. Como diz Lya Luft em "Perdas e Ganhos", criar filhos não exige grandes estudos nem recursos financeiros "exige dedicação, exige delicadeza, exige ternura: o mínimo que pode esperar alguém que nasceu de nós."
Escolhi para o quarto dela o tema "pássaros" porque os adoro e tenho um sonho recorrente de estar pegando um pássaro com as mãos. Então ela nasceu e me surpreendi com a idéia de que eu precisaria conquistar a sua confiança e o seu afeto, com o mesmo cuidado e delicadeza, como se ela fosse um passarinho no jardim. E qual o equilíbrio correto entre delicadeza e firmeza?
Durante a gravidez, eu coloquei minhas maozinhas para costurar. Minha mãe sabe fazer praticamente tudo em termos de trabalhos manuais e está sempre à disposição para me ajudar, mas desta vez nós nos superamos no empenho. Aos poucos, vou mostrando o resultado aqui.
Hoje eu vou mostrar uma geral do quartinho da Lorena e o presente de Natal que estou fazendo para ela. Segundo a Vivianne, é um presente de tempo.

























A minha mãe fez a cortina e eu costurei as folhas. Eu fiz a árvore e nós a pintamos. O quadro foi ela que pintou, baseada em uma figura de São Francisco com pássaros do Livro “A Árvore dos Desejos”, qua inspirou o nome deste blog. Fizemos ainda passarinhos como lembrança de maternidade, baseados nestes, como eu já contei.











A cômoda é da Móveis Mazzoti e era do nosso jogo da cama, mas não coube no nosso quarto e eu mandei laquear com a tinta Coral "Pinhão". Também mudei o puxador.
Ela fez ainda o porta-trecos e o trocador. Eu fiz as borboletas da luminária e o enfeite de porta com o nome da Lorena, baseada em imagens da Internet e com coisinhas que eu tinha aqui em casa. O cacho de rosas foi feito com as sobras do meu vestido de casamento pela minha mãe e tia. Elas serviram para enfeitar os saquinhos de bem-casados.

















E tem o protetor de berço que meu pai fez em prata e tem mais coisas no outro lado do quarto, mas mostro outro dia.
Agora estou fazendo esta gaiola, baseada nessa foto do blog da loja que eu adoro, mas só conheço pela Internet "Coisas da Doris". E os passarinhos, eu já havia visto parecidos, mas encontrei o molde aqui. Faltam uns detalhes finais.





















Ainda pretendo fazer este móbile.
Desejo do dia: o sorriso da Lorena.

quinta-feira, setembro 10

Parto Humanizado

O parto com o nosso obstetra, Dr. Marcos Leite, da ReHuNa, defensor do parto humanizado, inclui o acompanhamento de enfermeiras (doulas) do grupo Hanami. Elas vêm aqui em casa nos acompanhar quatro semanas antes, no dia do parto e três vezes depois para auxiliar com os cuidados com o bebê. Pretendo ter um parto normal e acredito que é preciso ter tranqüilidade e confiança para que tudo ocorra da melhor forma.
Temos feito os cursos e assistido a vídeos e por mais que as mulheres desmonstrem sentir dor, o que mais chama a atenção é a importância do momento, quando mãe, pai e bebê estão prontos para deixar que a natureza desenvolva seu papel, liberando as substâncias e as sensações desse momento de passagem da nova família. Há prós e contras com relação a cada tipo de parto, mas a minha opção é pela experiência do parto natural. Espero que dê tudo certo. Nossa pequena está numa posição legal, eu estou bem.
Para favorecer ainda mais a calma, tão importante para liberar a ocitocina e ter um parto tranqüilo, quando chegar a hora, a enfermeira vem aqui em casa e fica conosco até que seja realmente hora de ir para a clínica. Já estivemos lá conhecendo e acho que isso também é importante para diminuir a ansiedade do momento.
Com relação aos demais preparativos, estava procurando um molde para fazer passarinhos para dar de lembrança de maternidade. Eu queria fazer estes aqui da Abgail Brown:
Mas achei muito difícil sem molde. Então encontrei no Blog Frango com Banana (de comidinhas deliciosas), um modelo bem bacana, com molde:
Estou fazendo à mão e depois coloco as fotos aqui. Por coincidência o motivo do quarto do bebê também era passáros e ela também se chama Lorena! O quartinho dela saiu na Claudia Bebê. Lindo!
Por enquanto, uma fotinho da linha de produção.
Alguns dos filmes que assistimos deixam questões interessantes para debate:

Desejo do dia: colocar os pés para cima.

segunda-feira, agosto 24

Ninho 2

Que correria!!! Nascimento previsto para o dia 24 de setembro e ainda temos muito o que organizar.Festa Junina!
Como eu comentei um tempo atrás, antigamente, quando as famílias eram grandes, a gente aprendia tudo em casa e ainda herdava uma porção de coisas. Mas a nossa Lorena é primeira neta nos dois lados e então há muito o que aprender.
Sem contar que os preceitos mudam e procedimentos que eram preconizados antigamente estão fora de uso. Assim, dá-lhe curso de gestante. Fizemos o da Unimed e foi ótimo. Tivemos palestras sobre nutrição, amamentação, cuidados com o bebê, tipos de parto etc. Fizemos mais um este final de semana sobre parto humanizado e amamentação. E vamos fazer outro no próximo sábado.
Eu não sabia que a placenta saia logo depois do bebê e nem tinha idéia de como ela era. Mas a enfermeira levou uma recém-retirada para nós vermos. E ainda comentou que é importante verificar se ela saiu inteira. Não sabia que existia a episiotomia (que o meu médico só faz em último, último caso), que o cordão umbilical demorava uns dias para cair (e que a gente tem que limpá-lo) e que o bebê não precisa nem tomar água enquanto está sendo amamentado.
E o enxoval? Quanta novidade!!! Cueiro, conjuntinho pagão, paninho de boca, amiguinho de berço, lembrancinhas de maternidade, enfeite de porta, retrovisor para o bebê...
Além disso, tivemos que decidir os detalhes do quarto, a cor, se o armário seria embutido ou não, tipo de berço, posição, poltrona com ou sem balanço, ter ou não cama de babá, fazer ou não gesso, colocar ou não papel de parede, adesivos, cortina ou persiana... Tudo isso seguido de muita pesquisa de modelos, fornecedores e preços.
Nossas opções foram um armário planejado e um berço que vira cama de solteiro e vem com cama de babá e trocador. Aqui em Floripa só encontramos três marcas com esse modelo. Optamos por este da Divicar, todo branco.
A cor da parede eu queria bege, mas coloquei umas cinco provinhas na parede e a somente duas ficaram bege. Escolhemos a Chamoir (Coral). Qual não foi a minha surpresa quando o pintor passou a tinta e parede estava rosa? A tinta ficou diferente da provinha! Ainda tentei apelar para outra, a Branco Rússia, mas ficou ainda mais rosa. Agora estamos com um quarto rosinha.
Uma das paredes vai ter papel de parede. Depois de surtar com os modelos Abby Rose, acabei escolhendo este bege de poás (isso antes de saber que a parede iria ficar rosa, mas já havia sido encomendado).
O motivo do quarto são passarinhos e eu quero muito uma árvore e estou decidindo entre adesivo ou pintura, mas acho que eu a mami vamos pintar. Eis aqui algumas idéias. A minha preferida é a branca.



Como a minha mãe é pintora, bordadeira, costureira etc, etc, etc, também estamos fazendo muitas coisas para o quarto, mas isso eu mostro depois.
Por enquanto, vou mostrar uma foto do "antes". Nove metros quadrados que serviam de "quarto da bagunça", tiveram que ser esvaziados e aguardam a sua transformação no Pequeno Reino da Lorena. O cooler é apenas apoio, ok?
Desejo do dia: costurar.

quarta-feira, julho 15

Ninho

Nos mudamos para o nosso apartamento no final do ano de 2006 e até hoje ainda não terminamos de mobiliar e decorar. Com isso, sou frequentadora assídua de sites relacionados a decoração e crafts. Tenho centenas de fotos arquivadas com idéias, algumas já usei. Outras ficam para quando tivermos uma casa.

Agora estamos no empenho do quarto do bebê. Ela chega no final de setembro e o quartinho ainda nem foi pintado!

Não conheço os termos certos em decoração e não sei definir o meu gosto, mas não gosto muito de tudo combinandinho, com bichinhos no papel de parede, como é comum nas revistas sobre o tema. Tenho encontrado coisas mais interessantes na Internet. Fiz um slideshow com os top 15, que define mais ou menos o que eu quero, mas o difícil é colocar em prática. Além disso, aqui em Floripa não tem muitas opções de lojas com objetos de decoração nesse estilo. Sendo assim, eu e mami teremos que colocar nossa criatividade e a máquina de costura dela em prática. Aos poucos, irei colocando o resultado aqui.


Não tenho os sites de origem anotados, mas provavelmente são estes daqui:
Coisas da Doris: http://coisasdadoris.blogspot.com/
Decoeuração: http://www.decoeuracao.blogspot.com/
Decor8: http://decor8blog.com/
Apartment Therapy Ohdeedoh: http://www.ohdeedoh.com/
Casa e Jardim: http://revistacasaejardim.globo.com/
Casa Claudia: http://casa.abril.com.br/

Eu ia até fazer um esquema antes e depois, mas o nosso antes está muuuito bagunçado ainda.

Gostaria de comentar que, apesar de todo o perrengue, nosso amigo Carlos passou pela primeira etapa do tratamento e está voltando para o Brasil. A arrecadação está sendo um sucesso, com mais de U$200.000. Tenho certeza de que vai dar tudo certo!!!

Desejo do dia: criatividade

Hoje começa o nosso "curso de pais"!

sexta-feira, maio 29

Força

Carlos, Bele e a pequena Julia.
Quem me conhece sabe de como foi importante minha experiência em Hong Kong. Em grande parte devido às pessoas maravilhosas que conhecei por lá. Não é fácil manter as amizades à distância, mas no meu coração, eles ainda estão muito perto. É algo que não tem a ver com tempo e espaço.
Depois que voltamos para o Brasil, em 2005, soubemos que um dos nossos amigos estava com câncer. Jovem, ativo e muito alegre... foi algo inesperado que nos deixou bem abalados. Pois ele e sua esposa têm enfrentado com indescritível bravura esse desafio.
Aos poucos, os amigos foram mudando de país, mas a rede de contatos por e-mail e Internet continua forte, como pode ser observado no site que foi criado para acompanhar o progresso do Carlos:
http://save-carlos-sales.blogspot.com/
Aqui ele comenta todas as etapas do seu tratamento, num gesto que pode ajudar muitas pessoas.

"Finalmente comecou o a quimio. Eh engracado estar novamente passando por isso. Ultima vez que fiz em dezembro, fiquei tao mal e enjoado de tudo isso que dizia a mim mesmo que nunca faria de novo. Eh dificil descrever o estado que a gente fica, e nao ha palavras que o descrevam de forma fiel. Chamar de enjoo e fraqueza, eh muito pouco, somente quem passou por isso entende. Os ultimos meses no Brasil e Hong Kong me fizeram muito bem para apreciar a vida e querer muito enfrentar qualquer sacrificio. Aproveitei ao maximo, fiz tudo o que pude e isso me deu forcas para estar aqui. Passaria por tudo novamente, quantas vezes for necessario, para ter mais desses momentos.Espero que no futuro encontrem a cura definitiva dessa doenca, e se possivel formas de evitar esse sofrimento. O incrivel eh que ha 15 anos nao existia tratamento para esse tipo de cancer, entao nesse sentido tenho sorte, tenho boa chance de cura."

Enfrentando a tudo e buscando todas as chances com bravura, eles foram buscar um tratamento nos EUA, que se chama "High dose chemoterapy" com Bone Marrow transplant. o Hospital exigia um deposito antecipado de USD 300.000 e como eles não possuem essa quantia, os amigos estão arrecadando. Isso poderia parecer desanimador, mas a confiança do Carlos contagia a todos. Por isso, como pode ser observado no blog, já foram arrecadados 131,022 USD, o que posssibilitou o início do tratamento.
Agora que estamos sabendo, eu e o Bruno estamos pensando em uma maneira de ajudar.
Aqui no Blog, eu gostaria de partilhar não somente o exemplo de determinação do Carlos, mas de união dos amigos e de força da Internet.
Amanhã começa o nosso empenho.
Desejo do dia: força, amigo!

terça-feira, maio 5

Sugar Blues

Fiquei chocada com a notícia que ouvi, essa semana, de que o Brasil vai começar a exportar açúcar refinado para Europa e EUA agora que algumas fábricas estão utilizando o ozônio para branquear o açúcar, em vez utilizar o dióxido de enxofre. A gente pode comer, mas exportar não pode? Resolvi dar uma checada no tema.
O Jornal Gazeta Mercantil (04/12/2006) diz que o enxofre é adotado pelas usinas para o branqueamento do açúcar no Brasil, mas o método é considerado cancerígeno. A notícia anunciando o investimento no novo processo é de 2006, mas assunto foi notícia essa semana no Jornal Nacional. Descobri em um texto da Internet que a quantidade de resíduo do enxofre é limitada pela OMS (Organização Mundial da Saúde) e que na indústria americana e na européia o nível permitido é zero. "Aqui no Brasil só existe limitação para exportação, que é de 7 ppm (parte por milhão) e normalmente, nas vendas internas, este item não é fiscalizado." diz a fonte "em cache" no Google.
A odontopediatra Vera, que foi esposa do meu pai, foi quem me emprestou pela primeira vez o livro Sugar Blues (versão online), quando eu era adolescente. Na época, ela se preocupava com a minha dor de garganta constante e dizia que o açúcar faz para os tecidos da garganta o mesmo mal que faz para os dentes.
Depois de ler o livro, o meu consumo de açúcar ficou mais consciente. Até tomei açúcar mascavo por um tempo, mas nunca curti o gosto. Hoje eu tomo sucos e chás sem açúcar, mas o café eu gosto adoçado. Com a gravidez também parei de tomar adoçante, até o stevia. Então, dia desses eu lembrei que no exterior usa-se muito o "brown sugar", que é bem gostosinho. Descobri que aqui se chama Demerara e já tratei de comprar um saco desse açúcar, tipo orgânico.
Não sei porque eu usava um açúcar tão branco como o refinado. O Demerara orgânico não foi muito caro, menos de quatro reais do quilo (menos que uma barra chocolate) e o café fica bem gostoso. Como eu uso pouco, vai durar muito tempo. Acho que o bom mesmo era não usar nenhum açúcar, nem tomar café, mas... Quando perguntam se eu tenho algum vício respondo logo que é doce porque é algo que eu não consigo deixar, como acontece com qualquer viciado.
Algumas "lendas" da Internet têm efeito sobre mim e já não consigo usar desodorante ou pasta de dente ou ficar perto de aparelhos eletrônicos sem um fundo de desconfiança. Ainda mais agora que uma amiga minha passou por uma sofrida mastectomia em virtude de um câncer e um querido amigo e o cunhado de uma amiga estão com câncer de pulmão grave como metástase, todos com cerca de 30 anos. A vida moderna traz facilidades, mas há um preço.
Na opinião da minha médica de ultrassonografia, as pessoas não estão com mais câncer hoje em dia, apenas ocorre que os casos são detectados mais cedo e com mais frequência. Mas a alimentação também influencia em disposição, humor e outros aspectos da nossa saúde, por isso eu posso tentar me cuidar. Ainda mais agora que eu sou responsável por uma pessoinha que ainda não pode escolher o que vai comer.

Desejo do dia: sonequinha.

quinta-feira, abril 23

Um desejo em realização

"Here is the deepest secret nobody knows (here is the root of the root and the bud of the bud and the sky of the sky of a tree called life; which grows higher than the soul can hope or mind can hide) and this is the wonder that's keeping the stars apart: I carry your heart (I carry it in my heart)" (E. E. Cummings)
Estamos no início dos trinta anos. No ano passado, muitos amigos próximos casaram. O assunto este ano são os filhos. Algumas amigas grávidas, outras na dúvida. Quase todos pensam em aproveitar ao máximo antes de aumentar a família, esperar o "chamado da mãe natureza", o "instinto materno aflorar". Eu não fiquei esperando esse chamado e fui logo me dando um prazo. Pois com a decisão tomada, o instinto materno aflorou. Simples assim. E depois de tanto tempo "cuidando" cheguamos até a pensar que já poderiamos ter tomado essa decisão antes.
Não sei se isso acontece em todo lugar, mas há uns medos que ficam colocando na nossa cabeça, de que o sossego vai acabar, de que é melhor aproveitar tudo antes, de que os empregos vão ficar mais difícieis. Mas de repente, construir uma família passa a ser mais importante do que qualquer viagem, balada, emprego, noite de sono. E ainda há aquelas com medo do corpo "embarangar" ou ainda de que esse mundo está muito confuso, perigoso ou muito cheio para mais uma criança. É só tocar no assunto que essas temores são comentados.
Apesar da constante ameaça ecológica, entre outras coisas que andamos aprontando, acredito que o mundo já esteve muito pior para se viver. Todas as gerações tiveram os seus desafios.
Uma vez eu perguntei para o Bruno qual era o seu grande sonho. Disse a ele que o meu era trabalhar na ONU. Ele pensou um pouco, pois não é dado a esses devaneios e respondeu: "construir uma família feliz". De repente meu sonho da ONU ficou pequeno e até egoísta. O sonho dele me incluía. Essa resposta me fez rever alguns valores e hoje nosso sonho é o mesmo. Exige tanto empenho e desenvolvimento pessoal quanto qualquer outro sonho, mas as recompensas são infinitas.
Desejo do dia: inspiração para escolher um nome.

terça-feira, abril 14

Novidade!

Quatro meses e vai ser uma menina.

Eu poderia falar aqui de todas as sensações que este momento envolve, desde a preparação para conceber até as primeiras emoções de saber que a minha vida mudou para sempre como poucas vezes nesses 32 anos. Mas outra questão me aflige no momento: quanta coisa para aprender em tão pouco tempo!!!

Antigamente a família era bem grande e as meninas iam ajudando a cuidar dos irmãos mais novos. Hoje, nem os meus pais nem os pais do Bruno têm netos ainda. Só correndo contra o tempo para ficar por dentro de tantos detalhes antes de sermos três.

Quais exames fazer, o que eu devo fazer, o que não posso mais, escolher nome, preparar enxoval, preparar o quarto, escolher entre zilhões de acessórios possíveis...

Fui olhar carrinhos e pirei. Mil funções. Fizemos até um cursinho de meia hora com um primo do Bruno e sua esposa sobre as funcionalidades dos carrinhos de bebês.

Eu sei que a natureza é sábia e que 99% dos casais no mundo dão conta de seus rebentos com 1% de tudo isso. Mas no meu mundo perfeito, vou preparar um enxoval, quartinho, produtinhos, fazer curso de mamãe, ter parto na banheira, aprender xantala, todas essas coisas.

Ainda sobra espaço para a emoção no meio dessa confusão com um pé no consumismo que é a chegada do primeiro filho. Eu e o Bruno ficamos meio bobos olhando para a barriga que cresce. Apesar de toda a tecnologia, é algo meio "Lagoa Azul". A gente se espanta a cada dia com as novidades.

Em cerca de cinco meses, na primavera, ela vai estar aqui fora, sorrindo e nós vamos renascer. Haja horas para pensar sobre isso.

Desejo do dia: saúde.

quinta-feira, novembro 27

Normalmente chove, às vezes piora

Vista da minha varanda em dia de chuva: ocupação nos morros e em torno do mangue do Itacorubi. Também não sei se o meu prédio deveria estar aqui, mas está regular e tem "habite-se".

Olá,

Uma notícia boa e muitas más. A boa é que eu defendi a minha dissertação. Foi tudo muito bem.
As más vêm de todas as tragédias que se revelam diariamente em nosso querido Estado. Elas foram deflagradas pela chuva, mas as causas vão muito além das chuvas.
O título da minha dissertação é “Dinâmica de sistemas aplicada ao planejamento de projetos de desenvolvimento: projetos de habitação social.” Eu usei simulação para analisar o problema do avanço das ocupações irregulares em Florianópolis, para apoiar a elaboração de projetos. Ainda estou num papo meio acadêmico eu sei.
Por coincidência, defendi a dissertação na sexta-feira à noite, quando começou a cair o “toró” que devastou muitas cidades, inclusive a minha.
As causas dessas tragédias são muitas e fazem parte do sistema político-administrativo e cultural que criamos. O livro "Planeta Favela", de Mike Davis, aborda bem a questão. Se parte da população não tem uma renda que permite viver em uma casa regular em um local adequado, se não há alternativas acessíveis para essas pessoas, o que elas podem fazer? O campo foi abandonado durante muitos anos e as famílias migraram em busca de oportunidades. Ao mesmo tempo, deu-se a falta de investimentos públicos em habitação, infra-estrutura e em planejamento urbano. O mercado informal tornou-se tão forte que a irregularidade não é mais a excessão. Não são apenas as pessoas muito pobres que constroem em áreas irregulares ou de forma irregular.
As inundações poderiam ser evitadas e as maiores tragédias ocorreram em função das construções e desmatamento em áreas que cederam. (Explicação aqui).
Segundo a ONU, em 2007 ocorreu um marco, passamos a ter mais moradores no meio urbano do que no meio rural. É preciso reinventar as nossas cidades para lidar com as questões que essa configuração implica.
No entanto, as decisões que realmente resolvem os problemas são dolorosas e difícieis. Principalmente para os políticos, mas também para todos nós, acostumados com as irregularidades que muitas vezes nos beneficiam. Cada esforço que deixamos de fazer agora vai ser cobrado no futuro. Com vidas.
Todos estamos sofrendo os efeitos das enchentes, deslizamentos, mas vou comentar sobre isso depois. Agora é hora de ajudar.
É preciso estar ciente de que o que estamos fazendo é atuar sobre os sintomas de um problema crônico muito grave, que precisa de muito mais para ser resolvido.
Ainda valem as palavras de Barbara Ward, (Conferência Mundial Sobre o Meio Ambiente, Habitat, 1976):
“ Nossa primeira impressão deve ser por certo o grau em que a sociedade industrial parece ter sido não tanto planejada para fins humanos como simplismente batida até ganhar um formato qualquer por repetidas pancadas de gigantescos martelos _ o martelo da tecnologia e da energia aplicada, o impulso esmagador do interesse nacional, o objetivo simples do ganho econômico.”
Foi o ano em que nasci.

Desejo do dia: que a esperança possa chegar a quem perdeu tudo ou quase tudo.
Obs: na minha página de agradecimentos da dissertação também lembrei de vocês: "Aos amigos do Blogue, que nunca deixaram de passar para me apoiar".

terça-feira, setembro 16

Filosofia

Estou prestes a marcar a defesa da dissertação.

Vai nascer na primavera.

Com novos sonhos...

Me vem a lembrança de Fernando Pessoa, como Alberto Caieiro

"Não basta abrir a janela

Para ver os campos e o rio.

Não é bastante não ser cego

Para ver as árvores e as flores.

É preciso também não ter filosofia nenhuma.

Com filosofia não há árvores: há idéias apenas.

Há só cada um de nós, como uma cave.

Há só uma janela fechada, e todo o mundo lá fora;

E um sonho do que se poderia ver se a janela se abrisse,

Que nunca é o que se vê quando se abre a janela."

Desejo do dia: Um beijo para quem não me esqueceu. Eu não esqueci de vocês.

terça-feira, março 18

Personalidade

Somente quem é de SC vai entender o motivo de todos cantarem com tanto entusiasmo, neste clip da música "Certos Amigos", do Grupo Expresso. É o fundo para este post.

"Se certos amigos nos mostram que o mundo ainda é bom...
Por saber, que tendo você do meu lado eu me sinto mais forte
Quero beijar o teu rosto e pegar tua mão
Se cada estrela no céu é um amigo na Terra
A força do acaso do encontro é uma constelação"

Há tantos assuntos interessantes nesse mundo sobre os quais eu não sei muito...

Será que algum deles me ajudaria a saber mais sobre mim? Entender sobre personalidades, ego, a razão de eu ser como sou. Entender sobre filosofia e suas correntes. Entender sobre religiões e seus dogmas. Saber mais sobre literatura e sobre todos aqueles que criaram personagens para divagar sobre a alma humana.

Mas, para além desses temas, ninguém revela mais sobre mim do que meus amigos. Incluindo entre eles a minha família. Eles têm espelhos nos olhos. (Nem sempre eu gosto do que eu vejo.)

Esse é o meu critério para gostar de alguém logo de cara: olhos límpidos.

Com a máscara do trabalho eu me saio bem, afinal, é preciso dedicação e eu compreendo as regras. No entanto, na vida social eu sei que sou meio Brigit Jones, falo sem pensar, falo o que penso, dou muitos furos, sou tímida, distraída e até egoísta. O Bruno costuma dizer que, em alguns casos, eu não faço "questão de agradar". Mas qual a pílula que se toma para isso? A do tempo e da experiência? No fundo, creio que os maiores ensinamentos que recebo vêm dos olhos dos meus amigos e algumas vezes, das suas palavras. E acaba sendo o amor, essa força incrível, que está em tudo o que é vivo, que me faz desejar ser melhor do que eu sou.

(E por falar nesse amor, lembrei de uma notícia, que li esta semana, sobre um golfinho que ajudou as pessoas de uma praia a desencalhar duas baleias. E eles são de espécies diferentes!)

A gente, bicho curioso, procura explicações até no nome:
"LILIANA - De origem italiana, deriva da palavra latina lilium, a flor-de-lírio. Portanto, é um anthostônimo ( nome de flor). Este nome foi largamente utilizado por todos os povos, assim sendo, surgiram muitas derivações no espanhol:Lilian ; no francês Liliane; inglês: Lilian ou Lily. Liliana - Do inglês Lilian, que significa pura, inocente. Variantes: Liliane, Liliam, Liliosa. É dotada de um temperamento impulsivo, que não cede diante de nenhum tipo de pressão. Luta para alcançar suas metas. Sempre investe com sabedoria e precaução."

E procurando mais sobre o tema, encontrei essa linda declaração de amor a uma Liliane, que diz que o significado do lírio é "te desafio a me amar".

Desejo do dia: um bom descanço para um querido professor que faleceu esta noite. Ele tinha olhos límpidos e me ensinou lições importantes. Difícil acreditar que ele se foi.

quinta-feira, março 6

Fernando de Noronha, finalmente!

(Sim, uma pausa na suada dissertação.)




















A Ilha nos recebe com um arco-íris nos Dois Irmãos. Um sorriso?
É notório que Fernando de Noronha é um lugar belíssimo, sendo destino dos sonhos de muitas pessoas que eu conheço, em parte por causa das inúmeras reportagens que mostram o local como um paraíso na Terra. E é lindo mesmo. No entanto, o que mais me encantou não foi a paisagem, mas a vida, o contato com uma natureza que não se sente ameaçada pelo homem. Grandes Resorts, espreguiçadeiras na praia, chalés a poucos metros da areia, isso não existe por lá. Mesmo os hotéis mais arrumadinhos não ficam na beira da praia. As praias mais belas (para nós, a Baía dos Porcos, a Praia do Sancho e a Praia do Leão) ficam distantes das vilas e ainda que se vá de buggie, é preciso caminhar um tanto. Há pouquíssima gente durante o dia. Chegamos a ficar sozinhos várias vezes, mesmo em alta temporada. E são cheias de vida.
Em nosso primeiro dia, decidimos fazer uma caminhada pelas praias do mar de dentro, partindo da Vila dos Remédios. No caminho, ficamos admirados com os mergulhos dos enormes atobás nas ondas. Eles não mostravam nenhum receio e mergulhavam e nadavam ao lado das poucas pessoas que encontramos.












Foto: Bruno, no começo da nossa caminhada.
Depois de cerca de uma hora caminhando, passamos pela praia da Cacimba do Padre, onde estava acontecendo um campeonato de surf e portanto a praia estava “lotada”, com umas cento e cinquenta pessoas.
Mas eu queria chegar logo na próxima praia, a Baía dos Porcos, que eu já adorava por fotos, uma pequena baía de cerca de 50 metros, famosa por aparecer nas principais imagens dos montes Dois Irmãos, símbolos da Ilha. Eu queria mergulhar ali porque era lindo. Ao preparar o snorkel, de fora da água, vimos uma tartaruga boiando para respirar. Corremos, achando que ela iria a algum lugar. Que nada, ficou ali, do nosso lado, a cerca de dois metros da areia, bicando as algas da pedra. Ali estava também outra tartaruga, maiorzinha. E logo vimos mais duas arraias e muitos outros peixes interessantes, como o estranho peixe cofre. Nas árvores à beira da praia, muitos ninhos de aves marinhas, como as viuvinhas e noivinhas.






Foto: Baía dos Porcos.
Quando a maré subiu, caminhamos até a próxima praia, do Sancho, também lindíssima, cujo acesso se dá por uma escada de ferro, como as de incêndio, em uma fenda na rocha e depois, alguns metros de escadaria irregular. Subimos e caminhamos por uma trilha de 150 metros até a bela vista da Baía dos Golfinhos. A Ilha tem uma vegetação seca (fazia tempo que não chovia descentemente) e uma fauna bem restrita, formada por pássaros como uma espécie de pomba com pezinhos vermelhos, que caminha entre as árvores, lagartos e uns mini-lagartinhos chamados mambuias e preazinhos chamados mocó. Não há cobras por lá.

Foto: Praia do Sancho.
Depois deste dia, descobrímos que onde quer que mergulhássemos, de cilindro ou não, haveria muita vida. Encontramos muitas tartarugas, arraias, tubarões, polvo, lagostas, linguados, enguias e centenas de espécies de peixes. Na praia do Sueste é possível nadar em meio a pelo menos uma dúzia de tartarugas de vários tamanhos. Todas as praias são povoadas por lindos linguados coloridos. Acho que nunca mais vou conseguir comer um polvo ou um linguado. No entanto, na praia do Leão, fizemos um divertido mergulho de snorkel em meio a um gigantesco cardume de sardinhas, e eu me senti mais solidária aos atobás que também mergulhavam conosco, pescando as sardinhas. Alguns peixes me parecem mesmo com comida.
E os golfinhos? De vez em quando eu olhava para o mar, e lá, ao longe, estava um grupo passando, saltando. Chegamos bem perto deles em um passeio de barco, mas ainda não realizei o sonho de encontrá-los embaixo da água.
As estrelas da viagem, para mim, foram as tartarugas, por ter tido tantas chances de estar bem próxima delas. Ainda tivemos o privilégio de fazer um “passeio” que consistia em passar a noite na Praia do Leão com um biólogo do Projeto Tamar, com o objetivo assistir à desova das tartarugas verdes gigantes. INCRÍVEL!
Chegamos na praia às nove horas de uma noite de lua cheia e já pudemos ver os rastros de duas tartarugas que haviam subido para desovar. Não dá para descrever aqui o sentimento de presenciar todo o processo desse ser imenso (as duas tinham 1,05m e 1,10m) e dócil. Acompanhar a sua aventura ao sair do mar, subir muitos metros até as dunas, arrastando seus cerca de 250 quilos (que na água flutuam), cavar por horas, com suas nadadeiras macias, em uma respiração profunda, olhando para nós, com os olhos mais doces e, depois de horas de esforço, arrastar-se de volta para a água, onde vai atravessar o mundo, nesse oceano infinito. Após a desova, pudemos deitar ao seu lado e tocá-la com cuidado.


Passamos a noite em uma cabana (a única da Ilha que fica na praia) e pela manhã, além da linda vista da praia, fomos presenteados com a visão de um ninho que havia aberto durante a noite e testemunhamos as novas tartaruguinhas partindo para sua jornada pelo mar. Apenas uma em mil sobrevivem até a idade adulta e, não importa o quanto viagem pelo mundo, depois de muitos anos e quilos, elas voltarão para desovar na praia em que nasceram.
Fizemos muitas caminhadas, mergulhos, conhecemos muita pessoas legais, mas sobretudo, estivemos mais perto dos outros seres da natureza do que nunca, e pudemos olhar em seus olhos, nadar lado a lado e entender que o paraíso não é paraíso porque é lindo e sim porque é cheio de vida...
em paz.

Desejo do dia: raciocínio.

domingo, junho 10

Floripa tour

A Georgia sugeriu um post com os 5 principais pontos da minha cidade, mas é tão difícil escolher 5, que eu escolhi 10...
Tradicionais:
1. Centro, Praça XV, Museu Cruz e Souza, Museu Casa da Alfândega, Mercado
2. Cabeceira da Ponte Hercílio Luz

Os pontos mais tradicionais de visitação são o Centro da Cidade, que inclui a nossa Catedral Metropolitana, a Praça XV, com a tradicional Figueira centenária e os manezinhos jogando dominó. Ao lado está o Museu Palácio Cruz e Souza, que poderia ser mais preservado, mas é um dos únicos registros históricos e aliás, um dos únicos museus da nossa cidade. Da Praça XV dá para ir caminhando, pela famosa rua Felipe Schimit até o prédio da Alfândega, onde está a maior oferta e os melhores preços de artesanatos típicos da cidade.

Ao ladinho está o Mercado Público de peixes e outros, onde os vendedores gritam as melhores ofertas e as lojistas perguntam "o que é que falta?". É no Mercado que está o famoso Box 32, onde se toma um bom chopp e um pastel de camarão especial.

Foto: Rua Felipe Schimit, que faz parte do Centro Histórico.
Um ponto próximo, mas um pouquinho longe para ir a pé dali é a cabeceira da Ponte Hercílio Luz, cartão postal mais famoso da cidade e que está em reforma, depois de muita polêmica. Acho que seria um ótimo lugar para um tipo de bondinho. É bonita de se visitar de dia e à noite.
A partir dela, começa a Avenida Beira-Mar, cuja ciclovia é muito utilizada para exercícios por quase todos nós e para passeios de domingo, eu diria, por todos nós. Domingo é o dia da feirinha de artesanato (no trapiche) e do encontro de carros antigos (no Koxixo's). Tem um fim-de-tarde lindo, principalmente no outono.
Foto: Ciclovia na Avenida Beira-mar.
Roteiro Leste:
3. Lagoa da conceição, Mirante da lagoa,
4. Joaquina e Dunas,
5. Praia Mole, Ponto de Vista, Ponta das Caranhas
É muito comum ser parada por algum turista procurando o caminho da Lagoa, pois a nossa sinalização não é grande coisa. Mas é gostoso pensar que em breve aquelas pessoas do carro vão se deparar com uma visão incrível do Mirante do Morro da Lagoa, principalmente se o dia estiver aberto e que nenhuma foto consegue captar. Lá de cima dá para ver a Lagoa da Conceição, (Wikipedia) a Praia da Joaquina, as Dunas, a Praia Mole, pelo menos.
Sempre que eu passo por alí, de dia ou de noite, agradeço por viver em um lugar tão bonito.
























Fotos: Sandboard nas Dunas da Joaquina

Descendo o Morro, no Centrinho da Lagoa, estão muitos restaurantes, bares, cafés e lojinhas. É um local para jantar (Pizza na Pedra, hum), para sair à noite e para encontrar os amigos no fim-de-tarde, aos domingos.
















Fotos: Avenida das Rendeiras
Seguindo pela Avenida das Rendeiras (há muitos restaurantes, recomendo o Barba Negra e o prato de macarrão ao molho fungi com camarão), que ladeia a Lagoa, chega-se à praia da Joaquina, famosa pelo surfe e pelas dunas, onde se pratica o sandboard, mas eu só recomendo para quem não se importa em passar o dia com areia na orelha. O tombo é inevitável.








Fotos: Praia da Joaquina
A próxima praia é a Mole, para mim uma das mais bonitas da Ilha e também ponto de surfistas e corpos sarados. No final da praia Mole, está a bela Praia da Galheta, onde as pessoas, principalmente homens e gays, praticam o nudismo. Só dá para chegar à pé. Foi na Praia Mole que eu e o Bruno flagramos, admirados, dezenas de golfinhos brincando de surfar nas ondas. Dois “abobados”, como se diz por aqui.









Fotos: Praia Mole
Passando a Praia Mole no próximo morro há um mirante para a Lagoa, no bar Ponto de Vista imperdível.


















Fotos: Mirante do Ponto de Vista e restaurante Ponta das Caranhas.
E descendo o morro, à esquerda, está o restaurante Ponta das Caranhas, que serve, à beira da Lagoa, um peixe enrolado recheado com camarão e catupery e rodeado com batata palha também imperdível. Quem quiser, pode seguir para a Barra da Lagoa, comunidade tradicional de pescadores.
Roteiro Sul:
6. Ribeirão da Ilha, Ostradamus
O Ribeirão é uma comunidade antiga com muitas casas em estilo açoriano preservadas e que, há alguns anos, investiu na criação de ostras. Um dos lugares mais gostosos alí é o restaurante Ostradamus. Não há quem não saia encantado.


















Fotos: Restaurante Ostradamus e o Ribeirão da Ilha
Roteiro Norte:
7. Santo Antônio de Lisboa
8. Jurerê, Praia do Forte, Forte de São José da Ponta Grossa.
Foto: Restaurante Açores
No caminho para o Norte está a comunidade de Santo Antônio de Lisboa, também com casinhas preservadas e que tem um restaurante que adoramos, ao lado de uma igrejinha linda, o Açores. A sequência de frutos do mar é uma ótima pedida. Ao lado está um museu que é uma graça, com uma boa variedade de artesato.

Muitas pessoas vão para a praia de Jurerê por causa da boa infra-estrutura e pelo mar mais quente e calminho. Ultimamente tem sido procurada também pelas baladas, que acontecem durante o dia, nos restaurantes e bares à beira da praia. Na ponta esquerda de Jurerê Internacional estão a Fortaleza de São José, interessante para quem gosta de história e a pequena e calma Praia do Forte.

Roteiro aventura:
9. Ilha do Campeche
10. Costa da Lagoa
Para quem curte passeios mais ousados, vale à pena tirar um dia para visitar a Ilha do Campeche. É preciso pegar um barco de pescadores na praia da Armação. A Ilha é pequena, mas tem uma água muito transparente (ótima para snorkeling) e inscrições ruprestres diversas. Na Costa da Lagoa também há uma caminhanda, que termina em uma cachoeira. Mas o mais comum é os turistas irem de barco, que sai do comecinho da Avenida das Rendeiras. A paisagem é bonita e há diversos restaurantes que especializados em frutos do mar.

Plus
11. Lagoinha do Leste
Na Lagoinha de Leste, há uma lagoa deliciosa que desemboca no mar, só é possível chegar andando ou de barco. É uma caminhada linda, que pode ser feita por dois lados, durando um pouco menos de uma hora ou quase duas. É muito gostoso passar o dia lá, mas na volta dá uma preguiça! (Tem fotos lindas da caminhada aqui no blog do Aurélio)

Outros:

- Altos do Morro da Cruz
- Morro das pedras
- Passeio de escuna para as Fortalezas e Ilha de Anhatomirim
Outras paisagens bonitas podem ser vistas do Altos do Morro da Cruz, bem no meio da cidade, do Mirante Morro das Pedras, no Sul da Ilha e de um passeio de barco pela Fortaleza de Anhatomirim, que geralmente também leva à Baía dos Golfinhos (sempre que eu fui, vi os golfinhos, mas algumas pessoas me disseram que foram e não viram).
- Duas praias lindas e famosas que ficam no Norte: Brava (infelizmente construíram demais por lá. É lá que fica o Kioske do Pirata, balada diurna, famosa no verão) e a Praia do Santinho. Esta última tem um famoso Resort, oCostão do Santinho e incrições rupestres nas rochas, mas é a praia mais distante da Ilha.









Fotos: Vista do Mirante do Morro da Cruz e vista do Mirante do Morro das Pedras.

Artesanato: sou apaixonadapelo artesanto local, principalmente o que está relacionado ao folguedo do boi-de-mamão e à vida dos pescadores e rendeiras.
E se chover? oh, oh

Desejo do dia: colocar os e-mails em dia.