sexta-feira, setembro 16

Divulgando...

"CARTA REPÚDIO À REVISTA PLAYBOY

Em edição de Maio de 2005, a revista Playboy publicou uma matéria intitulada “Trocando Armas por socos”. Esta matéria, escrita por Adriana Negreiros, já surpreende apenas por sua chamada: “A incrível história do inglês que ensina boxe para garotos pobres e violentos do Complexo da Maré, uma perigosa favela carioca, onde quem dá as ordens é o tráfico de drogas”. Contudo, o absurdo não pára por aí. A repórter segue com sua etnografia da “perigosa favela carioca”, construindo uma paisagem absolutamente assustadora. Adjetivos como “uma das favelas mais violentas do Rio de Janeiro”, “Comunidade de negros, pobres e descalços, onde qualquer visita soa como uma ameaça”, e de “jovens em constante estado de alerta para a briga”, entre outros, compõem o quadro do espaço descrito.

É profundamente lamentável que, ainda hoje, tenhamos profissionais da área de comunicação com uma visão tão limitada e preconceituosa dos espaços populares. Não é necessário lembrar que notícias veiculadas nos meios de comunicação produzem, reproduzem e fortalecem rótulos e identidades. Com matérias sensacionalistas como essa, a revista contribui para a estigmatização e produção de uma imagem onde o espaço favelado é visto como um gueto perigoso e criminoso e em nada colabora na construção de uma cidade mais justa.

Assim, através desta carta, vimos expressar o nosso repúdio e indignação à atitude tomada por esta revista, que ao publicar a referida matéria, alicerçada em estereótipos e preconceitos, homogeneíza e desqualifica a comunidade Nova Holanda, e torna invisíveis as práticas culturais e sociais de seus moradores, assim como sua riqueza histórica de luta e resistência.

Esperamos, desta forma, que ao admitir o papel político da matéria, Esta revista possa mudar sua postura e deixar de reforçar no imaginário popular imagens distorcidas ou parciais das localidades que aborda em suas reportagens, e que passe a não olhar para esses espaços como locais onde predominam infrações e delitos, vistos como atitudes inerentes às camadas mais pobres da população.

Não deixaremos mais episódios como esse passarem despercebidos. Esperamos, ainda, que a revista se retrate perante a sociedade pela descabida publicação e deixamos claro, aqui, que nós moradores do Complexo da Maré somos conviventes e não coniventes com o tráfico de drogas.

REDE MARÉ JOVEM"

Pedido de Retratação

Desejo do dia: entusiasmo

terça-feira, agosto 30

Infomania - se é que vocês me entendem

Deu no Estadão

"Segundo cientistas ingleses o uso excessivo de internet pode gerar nova doença.

Data: 26/08/2005

Cientistas da Universidade de Londres, liderados pelo professor Gleen Wilson, descobriram que o uso excessivo de internet, principalmemte de e-mails, pode acarretar no surgimento de uma nova doença. Segundo a pesquisa, que foi patrocinada pela Hewlett-Packard, a infomania, ou vício de e-mail, pode resultar em uma queda de 10 pontos, em média, no coeficiente de inteligência.

Isso ocorre devido a ansiedade do internauta pela espera de uma mensagem eletrônica é pior que a dos dependentes de maconha. “O uso do e-mail em excesso produz uma queda de dez pontos, em média, no coeficiente de inteligência, enquanto o consumo de maconha produz uma baixa de quatro pontos”, afirma o dr. Wilson.

Wilson citado pelo site IBLNews, explica que as pessoas estão cada vez mais dispostas a interromper férias ou reuniões de lazer para responder a e-mails e mensagens de texto, o que pode reduzir sua agilidade mental.“O déficit mental equivale ao verificado em uma noite de sono perdida”, diz Wilson.

Já para Stephen Franzoi, professor de psicologia na Universidade de Marquette, em Winsconsin , a infomania pode ser comparada à obsessão dos jogadores em máquinas de cassino. “Eles perdem e continuam na esperança de ganhar. Eles ganham , mas nunca estão satisfeitos. E jogam de novo até perder tudo. Em psicologia, isso é chamado de reforço de proporção variável”, esclareceu Franzoi ao Mulwaukee Journal Sentinel."

Encontrei no site Acessibilidade Brasil, no meio de muito trabalho.

Também estava lá no site: "A britânica Hillary Lister se tornou nesta terça-feira a primeira pessoa tetraplégica a atravessar sozinha o Canal da Mancha num barco a vela."

Cada um aproveitando o seu tempo da sua maneira.

Desejo do dia: realização

sexta-feira, agosto 19

Tristeza

O Mercado Público de Florianópolis está pegando fogo!

Estou no continente em São José. Daqui dá para ver a fumaça, que me lembrou a visão do 11 de Setembro na Ilha de Manhattan ou o cogumelo de uma bomba atômica.

Será que foi por falta de manutenção? Uma tristeza...

Espero que agora a gente cuide da ponte.

Desejo do dia: encontrar o que estou procurando.

quinta-feira, agosto 4

Eu nasci, há 2? anos atrás...

Sobre a sensação de estar dando aula, lembro da passagem de Apollinaire:
"Venha para a beira", disse ele.
Eles responderam: "Nós estamos com medo"
"venha para a beira", disse ele.
Eles vieram. E ele os empurrou... e eles voaram.

Se tem uma coisa que eu destesto admitir é que quero emagrecer. Mas a situação está ficando crítica. Há dez anos que eu não pesava 56. Foi só um dia, mas foi revelador.

Só fiz dieta duas vezes na vida e as duas funcionaram. Vamos para a terceira! Dieta, exercícios e afins. Talvez, até, quem sabe, nutricionista, de novo.

Acabei de ler sobre a dieta Ayuverdica. Sim! Com o deprimente nome de dieta de Hollywood! A que nível... Como a própria reportagem diz, não segue bem todos os conceitos que rolam pela Índia, mas sabe-se lá o que é certo nesse mundo. Qualquer um que entenda sobre a realidade da Índia percebe que não é difícil para aquele povo manter uma dieta sem carne, derivados de leite, pão, doces, industrializados e guloseimas. A pobreza é radical.

Aff, odeio admitir o desejo mundado de estar em forma.

Esses dias foram muito corridos. Além do trabalho normal e das aulas, participei da elaboração de um projeto para a Petrobrás, para os jovens do Morro do Mocotó, que fica numa das regiões mais deprimidas de Floripa, o Maciço do Morro da Cruz. Unimos algumas ONGs e a Prefeitura para elaborar um projeto. Já temos a possibilidade de mandar para mais duas fontes.

Mesmo com a correria, não rolou um emagrecimento. Só festas juninas, fundues, café colonial...

Ah, dia desses foi meu aniversário! 12 de julho. Recebi uma chuva de recados no Orkut, mas não mandei uma daqueles e-mails chatinhos agradecendo a todos. Nem os legaizinhos, agradecendo um por um.

Sim. Sou canceriana, com ascendente em peixes, sejá lá o que isso signifique. Já leram um horóscopo ao contrário? Muito animador!

CĀNCER - 21/06 a 21/07 >Você é um chorão desgraçado. Os outros signos do zodíaco são obrigados ficar agüentando você reclamar da sua vida. Você se acha solidário e compreensivo com os problemas das outras pessoas, o que faz de você um baba-ovo puxa-saco. O que você quer mesmo é ficar "bem na fita". Você só quer saber de se dar bem, custe o que custar, e acaba sempre ficando numa boa, apesar de não valer nada. É na verdade um canalha com cara de santo. Quando pressionado você faz chantagem emocional. Chora e faz da sua vida a pior de todas. Por isso, os outros signos do zodíaco nunca desconfiam de você. E o pior é que todos gostam de você. Profissões típicas do cenceriano: Cabeleireiro, Manicure/Pedicure, Animador de Auditório.

Desejo do dia: apê novo.

domingo, julho 3

Medo do escuro

Estou sem Internet e devo ficar sem até semana que vem!

Meus sonhos estranhos estão atacando. Ainda bem que o Bruno está voltando, porque dormir de luz acessa não está me fazendo bem. Tenho sonhado com mísseis cainda na minha cabeça.

Há algum tempo sonhei com uma invasão alienígena. Começava numa praia. Depois fiquei sabendo que está saindo um filme com essa temática. Vi uma cena de rpomoção e se parece com o meu sonho. Agora não sei se quero ver o filme. Tenho medo de ter invadido a cabeça do Tom Cruise. (Alguém já viu "Quero ser John Malcovich?")

Não tô pirando não, é que trabalhar no mundo da política vem dando um nó na minha cabeça. Chega a ser hipocrisia atacar os esquemas do Congresso. Todo o nosso sistema político precisa mudar urgentemente, começando por qualquer eleição para vereador.

"Os livros têm os mesmos inimigos que o homem: o fogo, a umidade, os bichos, o tempo - e o seu próprio conteúdo" (Paul Valéry)

Desejo do dia: força de vontade para emagrecer.

terça-feira, junho 21

O relógio tá de mal comigo....

Ontem completamos dez anos juntos!!! Oito de namoro, um de noivado e um de casório. Sim, começou numa festa junina! Por isso estou romântica e vou indicar uma musiquinha para o meu amado "espouso": Adriana Calcanhoto, cantando os "menestréis" da periferia, Claudinho e Buchecha: "Fico assim sem você". http://radio.terra.com.br/busca/musicas.php?musica=Fico%20Assim%20Sem%20Você

Ele está em Xangai, que fica naquele país censurador de blogs e não deverá ver esse recado no final-de-semana, até que chegue na terra do consumo e da liberdade: minha querida Hong Kong.

E hoje é dia de São João e do Seu Juan, meu pai, ourives (o profissional que faz jóias), artista, marceneiro, místico, numerólogo, mestre, professor de ourivesaria, surfista de Internet, pai-para-toda-obra, entre outras coisas, que eu amo e admiro muito e de quem tenho grande orgulho. Parabéns!!!!!

Desejo: que o meu pai pare de fumar.

segunda-feira, junho 20

Quase!

A Câmara de Vereadores aprovou um projeto para subsidiar as passagens, mas o Prefeito mandou dizer que não vai assinar!!!

"A Insustentável Leveza do Ser" foi um desses livros que li anotando. Dentre muitas passagens sobre romance e sobre guerra, chamou minha atenção a seguinte:

"Aqueles que pensam que os regimes comunistas da Europa Central são obra exclusiva de criminosos deixam na sombra uma verdade fundamental: os regimes criminosos não foram feitos por criminosos, mas por entusiastas convecidos de terem descoberto o único caminho para o paraíso. Defendiam corajosamente esse caminho, executando para isso, centenas de pessoas. Mais tarde ficou claro como o dia que o paraíso não existia e que, portanto, os entusiastas eram assassinos." (Milan Kundera)

A luta dos estudantes pelo passe livre é justa se considerarmos que foi uma promessa de campanha do Prefeito eleito. Eles estão lutando pelos seus direitos, pelo que acreditam. De fato, somente as pessoas que encontram a manifestação nos momentos de descontrole, como encontrei duas vezes, ficam com medo. O saldo são algumas vitrines quebradas, telefones, lixeiras e calçadas, alguns presos e feridos. Mas não é possível mesmo saber o que está acontecendo, quem está quebrando, o que pensa, nem o que isso tem a ver com as reivindicações e com os estudantes. Não dá para saber quem está "certo". É preciso confiar desconfiando.

Na política, infelizmente tenho aprendido que é assim. É preciso sobretudo, desconfiar das notícias, das denúncias, até das fotos.

Quem trabalha no poder público geralmente pertence a um partido e, mesmo quando um outro ganha a eleição, alguns funcionários fazem de tudo para "queimar o filme" dos "inimigos". Por exemplo: pessoas ligadas à área da saúde podem não repassar remédios para os postos de saúde só para que a comunidade reclame da administração, ainda que isso prejudique as pessoas que nada têm a ver com a disputa. Isso pode acontecer até mesmo dentro do mesmo partido, se tiver alguém querendo um lugar que é de outro. Há SEMPRE um interesse político e é muito difícil para aqueles que têm boa intenção, desenvolver um bom trabalho.

Parece que tudo no País (e eu me pergunto se não é assim no mundo) está relacionado ao interesse de grupos políticos, ligados a grupos econômicos ou sociais e famílias diversas, até nas menores instâncias como grêmios acadêmicos e associações de bairro. Mas nem sempre se trata de uma política sadia e participativa, há interesses não revelados fazendo do povo massa de manobra. Ouvimos as notícias, as fofocas, apoiamos algum lado, sem nunca saber realmente o que se passa.

Quanto mais eu tento entender, ir atrás, mais eu descubro como é tudo um grande jogo de interesses, em grande parte, transitanto nos limites da decência, mas difícil de ser denunciado, afinal, está muito bem amarrado.

Precisamos de uma melhor educação para a política, que nos ensine a pensar realmente coletivamente. Assim, quando precisarmos de algo, não vamos mais procurar "aquele político nosso amigo". Falta transparência, objetividade administrativa, falta solidariedade... acho que vou me manifestar também!

Como?

Desejo do dia: cobertor!!! Tá muuuuuuuito frio!

quinta-feira, junho 16

Fusuê III, em ritmo de funk: "Ah, eles estão descontrolados!!!"


"Do rio que tudo arrasta se diz violento, mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem." (Bertold Brecht)

Estava no Centro, lá pelas 8:00 h da noite, conversando na frente do prédio da Associação, quando ouvi uma explosão próxima que pensei que fossem fogos de artifício. Dali à pouco, mais uma. Até que vimos o pessoal correndo. Eram os manifestantes. "De novo?", pensei. Alguém avisou: "A coisa tá pegando fogo. A polícia está atirando e soltando bombas".

Bombas? Nem sabia que ainda havia manifestação! Mas lá vinham correndo os jovens com camisetas de protesto enroladas na cabeça, alguns usando máscara de proteção, dessas que dentistas e médicos usam. Um caos! Corri para pegar o carro e sair dali o mais rápido possível. Ao lado do meu carro, vi quando um estudante largou no chão um desses pedaços de paralelepípedo, do tipo que formam as calçadas de Ipanema e as daqui de Floripa também.

"Tão quebrando tudo, tudo, tudo." Avisou o rapaz do estacionamento. "Vieram destruindo desde lá de baixo, quebraram até o Banco do Brasil, de novo." A essas alturas, eu já podia ver os guardas correndo, vindo de todos os lados. Na frente do Banco de Brasil, passava um batalhão de choque... Logistas apressavam-se em fechar as lojas que ainda estavam abertas.

Fui para casa e pude acompanhar, mais tarde, cenas terríveis pela TV. As piores desde que o movimento começou. Foram quebrados orelhões diversos, lixeiras (que aqui são bem bonitinhas), lojas, calçadas. Imagens de carros dando a volta desesperadamente, como fiz outro dia, confrontos, um cinegrafista que ganhou uma pedrada e estava com a cabeça sangrando muito...

Ainda havia cerca de mil pessoas nas manifestções, segundo o reporter e o movimento espera mais para amanhã.

E o Bruninho lá na China... nem pode ver minha homenagem ainda, pois a Internet lá é censurada, e o meu blog, que tem palavras proibidas como "Taiwan", não abre de jeito nenhum.

Desejo do dia: quero a minha mãe!

segunda-feira, junho 13

Em tempo

"Enchei a taça um do outro
Mas não bebais da mesma taça
Dai de vosso pão ao outro
mas não comais o mesmo pedaço
Cantai e dançai juntos e sede alegres
mas deixai cada um de vos estar sozinho
Assim como as cordas da lira são separadas
e no entanto, vibram na mesma harmonia
(...)
E vivei juntos, mas não vos aconchegueis em demasia
pois as colunas do templo erguem-se separadamente
E o carvalho e o cipreste não crescem à sombra um do outro"
(Gibram)

Bru, você me faz querer ser uma pessoa melhor, quando me ama e me respeita exatamente como eu sou. Obrigada por tudo!

Desejo do dia: Feliz dia dos namorados, aí do outro lado do mundo!!!

quinta-feira, junho 9

Fusuê II


Jovem pintando colega diante da Catedral. (
Mais fotos)

Para entender melhor o movimento, hoje, no nono dia de manifestação, resolvi dar uma olhada. Encontrei uma porção de jovens animados, representantes de outros movimentos sociais e lideranças diversas de esquerda.

Assim como os jovens pareciam tranqüilos e centrados, também pareciam os policiais.

Alguns jovens que haviam sido presos nas primeiras manifestações estavam lá, bem como a menina que ouvi a mãe contar, ontem, que havia feito uma música na cadeia.

E já que haviam sido presos por formação de quadrilha, os jovens resolveram fazer uma quadrilha de festa junina e cantar:

"Pula a catraca Ia, Ia,
Pula a catraca Iô, Iô,
Cuidado para não apanhar,
Pois a polícia já bateu no meu amor"

Aproveitei para tirar fotos para o Blog.

Fiquei numa reunião até 21:30, quando saí, resolvi dar uma olhada para ver como estava a manifestação. Quando passei na frente da Rodoviária, gelei. Uma turbe veio na minha direção e dos outros carros, correndo, gritando, jogando cones. Subi com o carro no canteiro para fazer o retorno, primeiramente com receio de estar fazendo algo errado, depois, escoltada por um policial numa moto. Carros e ônibus que estavam sendo atacados bateram em retirada, auxiliados pela polícia.

Corri para casa e ainda tive tempo de fotografar as cenas do local onde eu estivera, ao vivo, na tela da TV a Cabo (Canal Local).

Como as passagens para as praias estão custando R$3,00, algumas pessoas terão que gastar R$130,00 de ônibus por mês. Ganhando um salário mínimo? Realmente estamos vivendo uma crise de legitimidade dos poderes executivo e judiciário no País e os jovens não acreditam mais que os políticos, como a Câmara de Vereadores, vai ajudá-los a resolver o problema.

Mas sinto que o movimento está ficando mais controlado, mais irônico. Dizem que a multidão gritava para ninguém quebrar nada desta vez. Não vi abusos dos policiais. Acho que estão todos aprendendo.

Amanhã alguns dos estudantes que foram presos farão parte de um chat no Clic RBS (www.clicrbs.com.br), site onde também podem ser encontradas fotos e o mural com respostas para a pergunta: "Você é contra ou a favor da manifestação?", aqui.

Desejo do dia: decisões acertadas.

quarta-feira, junho 8

Fusuê


Panfleto que está sendo distribuído pela cidade.

No começo da noite de hoje, fui comprar um calzone e encontrei ao lado do caixa, o singelo bilhetinho acima. Perguntei se o problema já não havia sido resolvido e disseram que não, que naquele exato momento estavam ocorrendo as manifestações. Mais tarde, na Universidade Federal, pude ver também os cartazes que diziam ainda algo como "organize a mobilização no seu bairro, amanhã não pague passagem". O povo está mesmo empenhado.

Como quem está de fora, vejo todo tipo de opinião: estudantes animados com a possibilidade da vitória; amigos preocupados com a segurança dos filhos; uma outra com a tia que estava nervosa num num ônibus que quase foi virado pela multidão; uma mulher que teve a filha presa, ouvi de relance, enquanto ela comentava que a menina havia escrito uma canção na cadeia, depois de sonhar que estava apanhando dos policiais; um médico que atendeu policiais feridos; um jovem que denuncia a truculência dos policiais, das prisões e balas de borracha, e ataca as decisões que o governo tem tomado na tentativa de resolver a questão.

Trabalhei muito esses dias e felizmente não tenho dado de de cara os horários das manifestações. Todo dia, por volta das 18:00 h, o pessoal começa a ligar para perguntar como estão as coisas nas proximidades dos terminais. Antes de ontem, parece que houve paralização à tarde e os ônibus voltaram a circular às 18:30 h, quer dizer, os que conseguiram, pois muitos estavam com pneus furados. Encontrei um desses no caminho, no meio da pista, completamente arriado.

E ai de quem vier me dizer que tenho que ter maior consciência social e me envolver mais nessa questão. Tenho trabalhado arduamente na Prefeitura de São José, planejando e buscando recursos para desenvolver projetos de saúde, fora os projetos desenvolvidos pela ONG. Eu sei que há muitos problemas graves acontecendo, mas cada um de nós encontra a sua maneira de tornar esse mundo mais justo. Cada qual com as suas habilidades, a minha é o planejamento.

Já discuti muito com um colega do curso de Direito que dizia que a saída para a nossa sociedade era uma revolução armada dos trabalhadores. Admiro muito as lideranças jovens, conscientes. No entanto, é difícil detectar a diferença entre os ativistas conscientes e a massa de manobra. É triste descobrir que por trás de muita coisa que parece justa estão as velhas raposas astutas da política - algumas delas bem jovens.

De qualquer forma, se tiver um tempinho, vou tentar dar uma espiada na manifestação.

Ah, TICEN é Terminal Integrado do Centro.

Desejo do dia: a famosa boa noite de sono.

sábado, junho 4

Movimentos Sociais - dia de reflexão


Foto do Jornal Diário Catarinense. "À noite, os manifestantes são impedidos de bloquear a Ponte Colombo Salles(...)" Foto(s): Julio Cavalheiro/DC.

Tudo calmo no caminho da Universidade, mas, durante a noite, ainda rolaram telefonemas de pessoas preocupadas avisando amigos e familiares que havia confusão no Centro e é isso que torna o clima tenso. Na verdade, parece que houve apenas uma grande manifestão, novamente pela Beira-Mar, de duas horas, parando o trânsito, mas tranqüila. Ao contrário da noite anterior, quando o movimento perdeu o controle dos participantes.

Parece que o movimento encontrou o rumo novamente. Durante a aula, o professor comentou sobre as manifestações que fez na juventude, como líder estudantil, incluindo uma greve de fome (falsa!). Mas estava preocupado pois essas manifestações não atingiam pessoas que nada tinham a ver com ela. Um certo confronto com a polícia é previsível, mas o ataque aos carros, aos prédios, às pessoas, o vandalismo, desmoralizam os movimentos sociais. Fala-se que outros grupos aleatórios ao movimento dos estudantes entraram na confusão e aproveitaram para promover a quebradeira e que os próprios líderes do movimento estavam preocupados e não conseguiram impedí-los.

Se perguntássemos a alguns dos jovens envolvidos, talvez eles não soubessem explicar bem os motivos do protesto. Havia até um movimento punk promovendo o quebra-quebra, dizem. Estes subiram no carro de som, tiraram os líderes que estavam procurando acalmar a turbe e incitaram o vandalismo.

Por outro lado, o professor, que trabalha na Prefeitura, disse que ouviu: "Se a Ana Paula Padrão reclama ganhando 80.000, então a gente tem que quebrar tudo", ou algo assim, de uma lógica incompreensível.

De fato, todos temos culpa do abuso das empresas de ônibus, acertadas com os políticos que insistimos em eleger, dentre outras culpas. Os jovens sempre estão dispostos a tentar mudar aquilo que vêem de errado. Precisam de boa orientação.

Hoje, numa manifestação pacífica, Hong Kong lembrou o aniversário do massacre da Praça da Paz Celestial, em Beijing. É difícil definir certo e errado, mas é um bom momento para reflexão.

Desejo do dia: que uma pessoa de quem eu gosto muito possa superar uma fase difícil, de separação.

sexta-feira, junho 3

Descontrole

Estou agora me perguntando se devo ir para a aula de carro. Ouço daqui as sirenes. Não dá para saber o que está acontecendo. As pessoas se telefonam, avisam: "É melhor não sair agora!". Todos se perguntam: "Estais sabendo de alguma coisa?". "Estão prometendo algo grande para hoje". "Estão vindo ônibus de outras lugares para cá", de Porto Alegre e Curitiba, estão dizendo, para ajudar nas manifestações. O fato é que na noite passada, perdeu-se o controle. Hoje vi alguns vidros e calçadas quebradas no Centro. Dizem que as lajotas das calçadas foram arrancadas para serem atiradas nos vidros. O quebra-quebra atingiu uma sede do Banco do Brasil e o prédio antigo da Câmara de Vereadores.

Diante disto, hoje, as pessoas estavam sendo liberadas da Prefeitura mais cedo.

A semana tem sido assim, tensão na hora de sair de casa ou do trabalho, trechos desviados em função da movimentação das manifestações, incerteza.

Hoje, dizem, a "coisa vai ser grande". Há muitos grupos de policias em alerta pela cidade. Na cabeceira das pontes que ligam a cidade ao continente, a polícia montou um QG, com tendas verdes, caminhões e, dizem, até um tanque. Este eu não vi.

"Os organizadores do movimento tentaram fazer com que os manifestantes seguissem pacificamente em passeata pelo centro, mas muitos se recusaram e invadiram o terminal urbano, depredando ônibus e instalações."

"A situação ficou fora de controle, houve quebra-quebra no terminal Cidade de Florianópolis (de onde partem as linhas intermunicipais urbanas) e na praça 15 de Novembro. O antigo prédio da Câmara de Vereadores, patrimônio histórico, foi apedrejado e houve um princípio de incêndio no interior do prédio, contido a tempo. A polícia passou a perseguir os estudantes ao longo de várias ruas do centro. Por volta das 21 horas, a PM já havia ocupado a praça 15. Um grupo mais reduzido de manifestantes voltou a concentrar-se em frente ao Ticen. "Perdemos o controle, há vários grupos agindo de forma autônoma e depredando a cidade", admitiu o presidente da União Catarinense dos Estudantes, Tiago Andrino." (AN)

Balas de borracha, bombas de gás, depredação. Numa cidade não muito grande como Florianópolis, o confronto entre policiais e estudantes é quase de família. Aqui, pode-se confiar na polícia, mas eles estão irritados, percebe-se. Os menos preparados já perderam o controle, serão punidos. Algumas pessoas estão muito irritadas por terem suas vidas e caminhos alterados. Também pelos carros apedrejados.

O Prefeito desafiou, dizendo que, com ele na Prefeitura, ninguém fecha a ponte. Eu, se fosse estudante, só de birra, encontraria um meio de fechá-la.

Vejam que não estou tratando do valor ou não do tema das manifestações: o aumento da tarifa do ônibus urbano, uma das mais caras do país (mínima 1,75 reais) num monopólio do sistema de transporte que há anos domina a cidade e consegue acordos vantajosos com os governos, por um serviço que não merece.

É só uma questão de descontrole. De alguns estudantes, de alguns policias, do sistema de negociação das concessões.

Ainda não sabemos como discutir e resolver determinadas questões em nossa sociedade. Em qualquer País, por qualquer motivo, ainda temos as grandes manifestações, dos que desejam lutar pelos direitos e dos que se aproveitam disso para liberar seu lado agressivo. Mais que tudo, ainda não sabemos votar.

Vou para a aula. Se não der para passar, eu volto.

Desejo do dia: segurança.

domingo, maio 15

Terceiro Setor

Ainda não tinha comentado que estou trabalhando no Terceiro Setor, numa ONG chamada Associação Horizontes.

O Instituto Euvaldo Lodi, onde eu trabalhava antes de ir para Hong Kong também era uma ONG, mas estava bem focado no desenvolvimento industrial e tecnológico, pois fazia parte da Federação das Indústrias de Santa Catarina. Agora estou vendo um outro lado, o da capacitação de pessoas que estão excluídas do mercado de trabalho.

No IEL/SC tive a sorte de receber capacitação em gerenciamento de projetos e captação de recursos, mas tenho visto que a realidade das ONGs não é assim tão colorida. Sobra boa vontade e falta capacitação. Mesmo no Governo. Mas também tem muita gente ganhando dinheiro com cursos de capacitação e consultoria para ONGs.

Estou começando a formar um olhar crítico sobre a atuação das ONGs e algumas pessoas que parecem se aproveitar da sigla. Por isso mesmo, tenho tido algumas idéias mirabolantes de formação de redes de cooperação, que podem começar a tornar mais evidente quem faz o que e, ooops, quem não faz o quê.

Estive fora do ar, participando de um encontro de Responsabilidade Social em Criciúma, mas em breve pretendo trazer algumas questões sobre esses assuntos para discussão.

Desejo do dia: amor, para encher o coração de duas pessoas queridas.

sábado, abril 30

Vida quase digital

Que Puxa!

Depois de preparar toda a apresentação, recebemos a notícia de que haveria troca de sala. Para uma que não tinha rede! Que decepção! Desculpem-me por ter criado a ilusão. Comentei o fato na sala. Tirei a foto, projetei no datashow, mas infelizmente ela não pode ir ao ar.

Falamos sobre todo o tipo de modernidades, mas não tinhamos acesso à Internet num auditório de um prédio novo da Engenharia de Produção, de uma universidade federal (UFSC).

Penso que somos alguns poucos privilegiados que temos acesso a um mundo mais abrangente e cheio de possibilidades nessa era digital para alguns. Somos a vanguarada de algo que não sabemos bem o que é, mas também estamos sendo levados por estes eventos, para não sabemos onde.

Mas que é divertido, é.

Obrigada amigos, por enriquecerem a minha vida digital e real também.

Desejo do dia: inclusão digital.

quinta-feira, abril 28

Vida Digital

Entre as muitas coisas que eu estou fazendo está a disciplina do mestrado da Engenharia do Conhecimento da UFSC, chamada "Sociedade da Informação". Entre as muitas coisas que eu tenho que fazer, uma delas é apresentar um seminário nesta sexta-feira, dia 29, sobre Vida Digital. A apresentação deve estar baseada no livro de mesmo nome de Negroponte e no "Tecnologias da Inteligência", de Pierre Levy.

Ambas as obras são muito interessantes e estão me fazendo ficar bem animada para escrever o artigo que vale nota. Negroponte aborda a diferença entre a indústria dos átomos e a indústria dos bits e faz previsões sobre novas tecnologias. O Levy eu ainda não terminei de ler (!). Até onde eu li, fala sobre as mudanças sociais na era do hipertexto.

Mas o que eu queria dizer é que pensei e combinei com os meus dois colegas de grupo de falar um pouco sobre Blogs na apresentação e, se possível, fazer uma experiência na sala de aula. Vou levar a máquina digital e colocar uma foto da turma no Blog, na hora. Se alguém estiver navegando na sexta, entre 7:00 e 9:00 h da noite, vai estar online conosco.

Estou com saudades de visitar os amigos da minha vida digital, mas sempre lembro de todos e devo falar de vocês na aula.

Desejo do dia: tempo, claro, sempre esse danado.

sábado, abril 16

Uma coisa é uma coisa

"Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa, completamente diferente"
(Ditado "manezinho")

Relendo meus diários, tenho descoberto que as coisas não aconteceram como eu as lembrava. Essa constatação me fez recordar uma frase - se alguém puder me ajudar a encontrá-la, sou grata - que dizia mais ou menos assim “as coisas não são como aconteceram e sim como as lembramos”.

Por vezes, em meu diário, eu escrevia não só o que eu havia feito, mas com quem e como me sentia ao final do dia. Lendo as anotações, pude viver novamente as histórias e descobrir que eu me diverti bem mais do que eu lembrava, que eu encarei melhor os acontecimentos do que costumava encarar as lembranças deles. Alguns desentendimentos, algumas festas que eu perdi, desilusões, deixaram só pequenas anotações. Mas as do tipo “adorei”, “um dia perfeito”, “estou muito feliz”, foram muito mais freqüentes.

Pude também detectar os momentos em que aconteceram pequenas mudanças na minha personalidade e, por vezes, até os motivos. Fui cuidadosa nas anotações com relação à impressão que tinha das pessoas a minha volta, mas acertei e errei como acerto e erro hoje.

Em certas passagens, nem eu suporto o que pensei, o que escrevi, porque fui muito chata, birrenta, metida, convencida e egoísta. Mas depois, mudava e era a pessoa mais doce que jamais pensei ter sido. No entanto, nem sempre eu mudava para melhor.

Lembro de mim como um fragmento, mas eu era uma totalidade, como agora. Ainda que desde de então eu tenha aprendido mais, que tenha amadurecido, não significa que eu tenha sido uma pessoa incompleta, apenas menos experiente. Com isso, passei a admirar e entender melhor os adolescentes. Eu não fui adolescente, eu estive adolescente. Eu não sou adulta, eu estou vivendo uma vida adulta. Os adolescentes não são potenciais adultos, eu não sou uma potencial idosa, sou uma pessoa completa, por mais maravilhosa que eu possa vir a ser uma dia.

Escrevi, em fevereiro de 1992:

"O Futuro

Amanhã chegará?
Se chegar, eu vou.
Se esperar, já passou.
Se procurar, nunca entrará.
O futuro está tão próximo!
E assim ficará, eternamente.
É o que nunca está aqui e sempre muda.
Nunca vem, mas sempre passa
E você não sente.
Sempre ali e sempre ausente.”

Desejo do dia: acertar.

quinta-feira, março 31

Lelê, lelê, lelelê lelelê.

Nessas horas lembro daquela música que penso ser da novela Escrava Isaura. Do tempo em que eu não via novela, só ouvia, porque estava muito ocupada brincando e fazendo outras coisas divertidas.

Hoje eu também não vejo jovelas porque estou trabalhando. Algo que eu não fazia tanto há algum tempo, já que estava de férias em Hong Kong. O que Deus fez foi me dizer: "você tem sido uma menina muito estudiosa e trabalhadora, agora pode passar um ano e meio de férias na Ásia, estudando inglês, sem grandes preocupações". Eu tinha uma vaga idéia de que isso estava acontecendo, mas só agora percebo que eu deveria ter me preocupado menos
enquanto estava lá. Agora é tempo de produzir novamente! Tenho muito a dizer sobre isso, mas tão pouco tempo.

Daqui a pouco eu me acostumo com o ritmo.

Ah, eu nem tinha contado que o meu ilustre (mesmo) marido foi patrono da turma de Engenharia de Produção da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Isso mesmo, PATRONO! Aos 28 anos, completados no último dia 24 de março. Ele que se formou em 2000. Acho que isso aconteceu porque a turma estava cansada das mesmas figurinhas fáceis de todas as formaturas e queria um cara novo. Escolheram o Bruno entre a Prefeita, o presidente da Federação das Indústrias e outro que eu não lembro. Parece que lembraram dele porque foi presidente da Empresa Júnior e acho que porque estava na China. Talvez também porque sempre tenha sido muito falador.

Como eu poderia expressar o meu orgulho? Ele me faz acreditar em coisas boas. Sempre.

Desejo do dia: acabar com os pop-ups do site.

sexta-feira, março 18

Manifeste sua indignação

Nosso Bush, o Severino "No dia 23 de fevereiro ele pediu urgência para votar o projeto que aumenta o salário dos parlamentares de R$ 12.840 para R$ 21.500, retroativo a 1.º de janeiro, e propôs reajustar de R$ 35 mil para R$ 50 mil a verba de gabinete, que é paga a cada um dos 513 deputados. Severino chegou a dizer que a sociedade aceita a proposta de aumento salarial para os parlamentares. "O que a sociedade não aceita é desonestidade e roubalheira. Se existir isso dentro da Câmara, vou acabar", afirmou." (Estadão)

Aceitamos?

Como todos sabem, a Câmara aumentou de R$ 35 mil para R$ 43.750,00 a verba mensal de gabinete dos parlamentares. Ou seja um aumento de R$ 8.750,00. Exatamente o aumento que não foi dado como salário que ia de R$ 12.800,00 para R$ 21.500,00 num total de R$ 8.700,00. Esses valores somados a todos os outros benefícios, como os de convocações exterordiárias chegama cifras anuais absurdas, como bem mostrou o Jornal Nacional.

Como profissional da área do Terceiro Setor, participo de uma lista de discussão que tem mais de 3500 integrantes de todo o Brasil. Assim, diarimente mantenho-me informada a respeito de temas, cursos, eventos e compartilho informações e opiniões interessantes.

Mas o mais interessante é que os integrantes desta lista contribuiram muito para as manifestações que aconteceram nas ruas e na rede contra o aumento. Muitos foram juntando amigos, interessados, listas de e-mails e fortaleceram a pressão. Confesso que fiquei mei cética, mas funcionou, em parte, pelo menos. Os deputados retiraram o apoio também por estarem recebendo muitos e-mails de desaprovação (Folha). Muitos blogs também entraram na briga fomentando listas. O Senador Cristovan Buarque reconheceu esse poder em deu blog, no dia 03/03/2005.

Agora vieram com esse aumento descarado de novo. Por isso, coloco aqui um link para quem quiser, com um clique, manifestar sua insatisfação. É fácil e eficiente. Recomendo também um texto bem interessante do Roberto Pompeu de Toledo na última página da Veja desta semana, com o título: “Por que o rebotalho dá as cartas”.

Manifeste a sua indignação: www.umbrasilmelhor.com.br

Desejo do dia: uma boa negociação

segunda-feira, março 14

Birmânia?

Uma vez eu contei aqui sobre meu hábito de ter sonhos muito estranhos e reais.

Talvez, se eu os anotasse, teria muitas histórias boas para contar. Mas tenho medo de que esse estranho mundo do outro lado do dia também seja uma espécie de vida e então eu poderia estar contanto demais. Enfim...

Dia desses sonhei que eu entrava em uma comitiva, com outras pessoas muito bem vestidas, num grande salão de mármore, de pé-direito altíssimo. Pensei: "Por isso, faziam essas paredes de mármore, porque aqui é muito quente e o mármore ajuda a refrescar."

Fomos conduzidos até as portas de um balcão e quando elas se abriram, pudemos ver um rio e na outra margem, um belíssimo templo antigo com muitas torres, brilhando, em vermelho e dourado, sob um por-do-sol de sonho (como não?). Então um dos homens nos apresenta:
_ Eis o mais precioso segredo da Birmânia.

Birmânia? Eu acordei lembrando da cena e desse nome: Birmânia. Outras coisas aconteceram no sonho depois disto (como uma com uma briga com monges no templo), mas a primeira imagem ficou gravada quando acordei. Resolvi então procurar na Internet alguma coisa sobre a Birmânia.

Quem conhece a Ásia sabe que cada região tem civilizações e templos diferentes. Os do meu sonho se pareciam com os de Ankor (Camboja), mas eram avermelhados, com torres mais gordinhas. Pois então, descobri que esse tipo de templo existe, num local chamado Myanmar, que antigamente se chamava Birmânia e que fica próximo do Camboja.

Não encontrei uma imagem igual a do sonho, mas ,logicamente ,eu devo tê-la visto, algum dia, de relance, em alguma capa de revista ou livro de viagens e isso deve ter ficado gravado no meu inconsciente. Talvez trouxesse os dizeres: "Segredos da Birmânia".

Logicamente.

Desejo do dia: aprender rápido.