quinta-feira, março 31
Lelê, lelê, lelelê lelelê.
Hoje eu também não vejo jovelas porque estou trabalhando. Algo que eu não fazia tanto há algum tempo, já que estava de férias em Hong Kong. O que Deus fez foi me dizer: "você tem sido uma menina muito estudiosa e trabalhadora, agora pode passar um ano e meio de férias na Ásia, estudando inglês, sem grandes preocupações". Eu tinha uma vaga idéia de que isso estava acontecendo, mas só agora percebo que eu deveria ter me preocupado menos
enquanto estava lá. Agora é tempo de produzir novamente! Tenho muito a dizer sobre isso, mas tão pouco tempo.
Daqui a pouco eu me acostumo com o ritmo.
Ah, eu nem tinha contado que o meu ilustre (mesmo) marido foi patrono da turma de Engenharia de Produção da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Isso mesmo, PATRONO! Aos 28 anos, completados no último dia 24 de março. Ele que se formou em 2000. Acho que isso aconteceu porque a turma estava cansada das mesmas figurinhas fáceis de todas as formaturas e queria um cara novo. Escolheram o Bruno entre a Prefeita, o presidente da Federação das Indústrias e outro que eu não lembro. Parece que lembraram dele porque foi presidente da Empresa Júnior e acho que porque estava na China. Talvez também porque sempre tenha sido muito falador.
Como eu poderia expressar o meu orgulho? Ele me faz acreditar em coisas boas. Sempre.
Desejo do dia: acabar com os pop-ups do site.
sexta-feira, março 18
Manifeste sua indignação
Aceitamos?
Como todos sabem, a Câmara aumentou de R$ 35 mil para R$ 43.750,00 a verba mensal de gabinete dos parlamentares. Ou seja um aumento de R$ 8.750,00. Exatamente o aumento que não foi dado como salário que ia de R$ 12.800,00 para R$ 21.500,00 num total de R$ 8.700,00. Esses valores somados a todos os outros benefícios, como os de convocações exterordiárias chegama cifras anuais absurdas, como bem mostrou o Jornal Nacional.
Como profissional da área do Terceiro Setor, participo de uma lista de discussão que tem mais de 3500 integrantes de todo o Brasil. Assim, diarimente mantenho-me informada a respeito de temas, cursos, eventos e compartilho informações e opiniões interessantes.
Mas o mais interessante é que os integrantes desta lista contribuiram muito para as manifestações que aconteceram nas ruas e na rede contra o aumento. Muitos foram juntando amigos, interessados, listas de e-mails e fortaleceram a pressão. Confesso que fiquei mei cética, mas funcionou, em parte, pelo menos. Os deputados retiraram o apoio também por estarem recebendo muitos e-mails de desaprovação (Folha). Muitos blogs também entraram na briga fomentando listas. O Senador Cristovan Buarque reconheceu esse poder em deu blog, no dia 03/03/2005.
Agora vieram com esse aumento descarado de novo. Por isso, coloco aqui um link para quem quiser, com um clique, manifestar sua insatisfação. É fácil e eficiente. Recomendo também um texto bem interessante do Roberto Pompeu de Toledo na última página da Veja desta semana, com o título: “Por que o rebotalho dá as cartas”.
Manifeste a sua indignação: www.umbrasilmelhor.com.br
Desejo do dia: uma boa negociação
segunda-feira, março 14
Birmânia?
Talvez, se eu os anotasse, teria muitas histórias boas para contar. Mas tenho medo de que esse estranho mundo do outro lado do dia também seja uma espécie de vida e então eu poderia estar contanto demais. Enfim...
Dia desses sonhei que eu entrava em uma comitiva, com outras pessoas muito bem vestidas, num grande salão de mármore, de pé-direito altíssimo. Pensei: "Por isso, faziam essas paredes de mármore, porque aqui é muito quente e o mármore ajuda a refrescar."
Fomos conduzidos até as portas de um balcão e quando elas se abriram, pudemos ver um rio e na outra margem, um belíssimo templo antigo com muitas torres, brilhando, em vermelho e dourado, sob um por-do-sol de sonho (como não?). Então um dos homens nos apresenta:
_ Eis o mais precioso segredo da Birmânia.
Birmânia? Eu acordei lembrando da cena e desse nome: Birmânia. Outras coisas aconteceram no sonho depois disto (como uma com uma briga com monges no templo), mas a primeira imagem ficou gravada quando acordei. Resolvi então procurar na Internet alguma coisa sobre a Birmânia.
Quem conhece a Ásia sabe que cada região tem civilizações e templos diferentes. Os do meu sonho se pareciam com os de Ankor (Camboja), mas eram avermelhados, com torres mais gordinhas. Pois então, descobri que esse tipo de templo existe, num local chamado Myanmar, que antigamente se chamava Birmânia e que fica próximo do Camboja.
Não encontrei uma imagem igual a do sonho, mas ,logicamente ,eu devo tê-la visto, algum dia, de relance, em alguma capa de revista ou livro de viagens e isso deve ter ficado gravado no meu inconsciente. Talvez trouxesse os dizeres: "Segredos da Birmânia".
Logicamente.
Desejo do dia: aprender rápido.
terça-feira, março 8
A Brasileira Típica
• A brasileira típica vai viver até os 73 anos
• Ela mede 1,58 metro e pesa 61 quilos
• Seu sutiã é tamanho 44
• A maioria tem cabelo castanho e 44% delas têm cabelo ndulado
• 45% têm pele mista
• 67% se casam, ela se casa entre 20 e 24 anos
• Ela tem 80 relações sexuais por ano, o que equivale a uma a cada quatro dias e meio
• Ela tem o primeiro filho aos 26 anos, e em média, dois filhos
• A brasileira típica não faz ginástica
• Ela usa calcinha de LycraTactel e estilo tanga
• 65% delas julgam necessário possuir casa própria antes de ter filhos
• Seis em cada dez brasileiras defendem a permanência da mulher em casa se o marido tiver boa renda
• 60% das brasileiras defendem a produção independente de filhos
• Metade das mulheres nunca faria cirurgia plástica
• Metade delas não sai de casa sem maquiagem
• Das que usam tintura, sete em cada dez pintam o cabelo de loiro
• Quatro em cada dez brasileiras dizem nunca estar satisfeitas com sua aparência
• Ela gasta 46 reais por mês com produtos para o cabelo
• 56% deixariam o companheiro viajar com sua melhor amiga
• 53% fazem dieta
• 55% consideram a mulher mais competitiva que o homem
• 44% das mulheres trabalham
• 20,4% delas têm onze ou mais anos de estudo, contra 17,5% dos homens
• Seis em cada dez trabalhadoras consideram sua ocupação apenas como um emprego, não como uma carreira
• 24% acham melhor pedir aumento a uma mulher do que a um homem
• 33% possuem conta corrente no banco e 24% têm caderneta de poupança
• Metade das mulheres tem cachorro, 14% têm gato
• Cerca de oito em cada dez vítimas de lesão por esforço repetitivo (LER) são mulheres
• 5,1% das mulheres vivem sozinhas
Sou meio desconfiada para essa coisa de "dia de(a,o,as,os)", mas já que temos um dia, que aproveitemos para pensar sobre a situação das mulheres, direitos e conquistas e é claro, aproveitemos para receber os muitos parabéns (quando eles não vêm com uma pontinha de sarcasmo).

Arrumei o álbum de fotos dos quadros da minha mãe, uma mulher e tanto.
Desejo do dia: muita sorte
quinta-feira, março 3
A Beleza Estranha

Executivos no Centro de Hong Kong, 2005. (Ábum atualizado)
Um dos textos que enviei para uma jornalista muito simpática que me pediu um relato sobre Hong Kong.
A Beleza Estranha
Há alguma coisa de poesia nas ruas de Hong Kong, em meio ao apinhamento de prédios, placas, pessoas e meios de transporte.Talvez a poesia esteja na previsibilidade. O caos de Hong Kong é previsível. Há sempre placas, cartazes, pessoas de terno, pessoas falando no celular, cabelos negros, um ou outro ocidental passando e mulheres de saltos baixos. Há sempre um ônibus, um bonde e muitos taxis vermelhos, placas indicando entradas de metrô e passarelas que levam de um prédio para outro e para outro e para a rua e para metrô... uma previsibilidade íntima do caos.
Há um certo equilíbrio nos contrastes: o exótico torna-se comum nas calçadas; milhares de pessoas apressadas formam uma unidade organizada; detalhes coloridos e extravagantes estão ao mesmo tempo nas roupas, fachadas e cartazes. Há os predios baixos e os altíssimos, uns modernos, outros antigos, como as pessoas. Então, para quem observa, o que está em cima assemelha-se ao que está embaixo.
Alguns edifícios de Hong Kong não parecem ter sido construídos, parecem ter nascido, com personalidade e alma. São conhecidos pelo nome e pela fisionomia. Ficam parados olhando e apontando suas facas do Feng Shui uns para os outros. Graças ao Feng Shui, muitos prédios não foram planejados apenas como unidades verticais a serviço dos homens e do aproveitamento de espaço. Foram projetados considerando regras de harmonia, a posição das montanhas, do mar e dos outros prédios. Estão relacionados entre si. Alguns estão ameaçando os demais com suas setas venenosas, enquanto outros parecem apenas ter sido pegos de surpresa, congelados num passo de dança. Tão únicos quanto as pessoas que se atropelam nas suas calçadas.
Assim como os contrastes revelam semelhanças, o aparente caos de Hong Kong é sustentado por um forte sistema de organização. As regras são cumpridas, os meios de transporte estão no horário, placas indicam os principais caminhos e as passarelas conduzem a todos os lugares. E fácil encontrar um amigo na multidão, um endereço que se deseja.
Parte da cidade está toda acertada como um relógio, dando voltas em torno de seu eixo e voltando regularmente para os mesmos lugares. A outra parte também está, mas em intervalos desconhecidos. Por isso, às vezes, sob determinado foco, todo o movimento de Hong Kong, parece também estar parado. Quem ficar em pé, numa mesma esquina, num determinado horário, todos os dias, talvez veja, em series periódicas, as mesmas pessoas, os mesmos carros, os mesmos incidentes.
A cidade é toda arranjada para pessoas que estão em movimento contínuo entre prédios, bairros e países. No entanto, por trás dessa aparencia cosmopolita, pode-se desconfiar que há um grupo de antigos donos, exercendo seu poder sobre todo o território, como se estivessem numa vila, com sua pequena elite. Lado a lado com essa elite, estão todos os outros cidadãos expatriados do mundo, com seus objetivos rápidos. Assim como ao lado de restaurantes extravagantes estão os botequins baratos, aparentemente imundos, conzinhando pedaços de seres estranhos e seres inteiros, que servem em refeições de nomes impronunciáveis. Como ao lado de Lords ingleses e refinados chineses passam camponeses e pessoas simples, escatológicas em suas maneiras. E ao embaralhar esses adjetivos e substantivos, ainda é possível obter uma descrição da cidade. Então há e não há o certo e o errado.
Em Hong Kong sabedoria e superficialidade, exótico e corriqueiro, belo e asqueroso, estranho e familiar, passageiro e centenário, curiosidade e vontade de partir formam combinações harmoniosas e incompreensíveis, como os versos de uma poesia inacabada.
Desejo do dia: bons negócios para a família.
segunda-feira, fevereiro 28
Quando a razão vai passear
Ontem me deixei levar por um sentimento que julgava fútil, imaturo, alienado e romântico e que já não esperava mais de mim mesma: o sentimento de fã por um "ídolo pop" (termo meio boboca, que bem se adequa a este momento). Não vibrei por causa de um escritor renomado, nem por um cantor talentoso ou um grande humanista, mas por uma modelo. Quem diria!
A verdade é que sempre gostei de abrir uma revista em qualquer parte do mundo e ver que ela estava lá, irradiando aquele estranho poder perturbador que é mais que beleza e consagrando o mito da beldade nacional. E mais ainda, de ouvir à exaustão que Gisele é um exemplo, uma super-profissional, uma simpatia etc etc etc.
Ao vê-la na cerimônia do Oscar, ao lado de Leonardo Dicaprio, vibrei abobada, como nos tempos de Capricho. Vê-los assumir a comentada relação de anos foi como chegar ao climax de uma história de amor, quando os dois personagens finalmente se entregam, após alguma tensão inicial.
Tomada de uma euforia que qualquer psicólogo deve saber explicar, me senti como se fosse eu própria lá, de mãos dadas com “Lio”, na primeira fila do Kodak Theatre, para a admiração, ao vivo, de milhões de pessoas. Assisti toda a cerimônia torcendo somente para que fimassem o casal de novo. Confesso que foi tão emocionante quanto ver a fabulosa Fernando Montenegro, que concorrera em outro ano, com toda a honra, a uma estatueta. Gisele não estava concorrendo a nada, mas já ganhou.
Até passei a simpatizar com o rapaz.
E daí que bradem que ele ainda não é digno de um Oscar? Ele fez Titanic, Agarre-me se puder, Os Três Mosqueteiros e o próprio Aviador, entre outros filmes que todo mundo viu. Tem carisma.
E daí que discutam que ele nem é tão bonito? Gisele também pode não ser a mulher mais linda do mundo, mas é a que todos gostam de dizer que é. Também é com ela que todos gostam de trabalhar e, dentre tantas, é ela que prende a nossa atenção.
E daí que ele tenha um comportamento esquisito? Ele a convidou para este momento importante e ela estava lá.
Talvez o motivo do meu interesse seja também porque chamou a minha atenção quando vi, há alguns anos, uma notinha que contava que um ator famoso, DiCaprio, após um desfile, havia oferecido flores para uma modelo brasileira e que esta as havia recusado. Só algum tempo depois, comecei a ver Gisele Bündchen nas notícias e penso que lembrei do seu nome. Será que era ela? Somente muito tempo depois, surgiram os rumores de que estavam namorando.
O que aconteceu desde então? Em elocubrações dignas de um Sidney Sheldon ou qualquer novelista mexicano, fico a imaginar este romance entre pessoas com vidas acima do comum.
No entanto, como a vida real está muito além das minhas aluscinações românticas e como ninguém é perfeito, já me dou por satisfeita com a emoção daquelas maozinhas dadas.
Ainda que esse conto não exista, só por me fazer sonhar, desejo à Gisele o melhor, ou seja, um amor gostoso de verdade, como os que só podem ser vividos na vida real.*
*Como o que vivo com o Bruno. Um amor que torna a vida extraordiária e que se irradia, aniquilando todas as impossibilidades.
Desejo fã abobada do dia: conhecer a Gisele Bündchen
sexta-feira, fevereiro 25
quarta-feira, fevereiro 23
Operação Playboy
"Dimitrius costumava atrair jovens de classe média alta para a quadrilha dele.
Em geral, praticantes de surfe, vôo-livre e outros esportes radicais. Jovens que falam inglês, costumam viajar para o exterior e que poderiam transportar drogas sem levantar muita suspeita." Jornal Nacional.
Muita gente quer vir morar em Floripa, fugindo das grandes metrópoles, da poluição, da violência, da concorrência no vestibular e do que mais for. No entanto, o mercado de trabalho por aqui não é lá essas coisas.
Trata-se de uma cidade administrativa, com pouquíssimas indústrias e características bem provincianas. Bares e outros empreendimentos trazidos por paulistas descolados abrem e fecham a toda hora. Só temos um "grande" Shopping na Ilha. Outros dois estão prometidos, mas, como qualquer manezinha fuxiqueira*, direi "é ver para crer". Numa comparação com outras capitais, o teatro e a vida cultural são quase vergonhosos, pelo menos em número de eventos de qualidade. Os serviços, bom, não costumam ser um primor de profissionalismo.
Enfim, dependendo da profissão, é melhor mudar para cá com "a vida já feita". Alguns empresários e executivos deixam a família por aqui e passam a semana trabalhando em São Paulo.
Mas enfim, o que eu ia dizer é que nem por isso esse meninos precisavam esculhambar. Agora estamos na rota do tráfico internacional de drogas! Descobrimos que éramos uma ótima opção de filial para traficantes curtirem a vida e ainda trabalharem sossegados. Aqui encontravam jovens abonados e "espertos" que queriam "viver a vida sobre as ondas", na rota Floripa/Europa/Bali, com direito a uma esticada em Fernando de Noronha, "pirando o cabeção" e ainda ganhando uma baba. Para muitos, essa seria a receita do paraíso na Terra, se não fosse ilegal.
Delegado chega a Florianópolis com preso envolvido na Operação Playboy
Tina Braga - JB Online
FLORIANÓPOLIS - O delegado Fernando Amaro de Morais Caeron, coordenador da Operação Playboy, chega ainda hoje de manhã a Florianópolis, acompanhado Dimitrius Papageorgiu acusado de liderar quadrilha que utilizava surfista para levar cocaína para Europa e Ásia.
Por volta das 10h, o delegado dará entrevista à imprensa na sede da Polícia Federal quando apresentará Temístoles Emanuel da Silva e Rodolfo dos Santos também acusados de utilizar jovens surfistas e praticantes de vôo livre para levar droga para o exterior trazer drogas sintéticas para o Brasil.
Dimitrius ultimamente era visto com frequência no bairro Lagoa da Conceição, zona leste dessa capital, reduto de surfistas brasileiros e do exterior atraídos pelas ondas das praias Mole e Joaquina. Ele foi preso na quarta-feira passada em São Paulo quando chegava da França.
Outras pessoas foram presas durante a operação. Elas podem ter ligação com Sérgio Gularte, detido e condenado à morte na Indonésia, e que morou em Florianópolis.
Costumam dizer que Floripa então tem vocação para indústrias de tecnologia (não poluentes), turismo e esportes. E agora parece que também para o tráfico internacional de drogas. Bom, tiroteio nos morros, já temos.
Sempre ouvi uma fofoca sobre as famílias conhecidas, tradicionais, de políticos, de donos de redes de lojas e de revendedoras de veículos, que seriam traficantes. No entanto, o caso dos surfistas parece ser diferente, como um outro grupo, dos jovens radicais e "empreeendedores". Vai ver que estavam concorrendo.
Como prenderam poucas pessoas, dizem que ainda tem muito playboy por aí sem dormir ou "dando um tempo" da cidade.
E o pior é que todo mundo aqui conhece alguém, que conhece alguém... enfim.
Desejo do dia: bolo de cenoura!
* As obras começam a demorar e o pessoal começa a dizer que não vai sair mais, que o dono faliu, que fugiu com o dinheiro... Conhecendo esse lado ilhéu, uma das construções, que já começou há algum tempo, está com uma grande placa: "Estamos construindo o estacionamento". E tem gente que ainda não acredita.
sexta-feira, fevereiro 18
Play Back
Em alguns deles eu anotava os acontecimentos com uma precisão incrível: o que eu fiz, com quem, o que comi e o que pensei, todos os dias. De muitas pessoas e situações descritas eu não consigo me lembrar. Assustei-me também com alguns dos meus pensamentos. Muito estranho este encontro comigo mesma, ou várias de mim, mas depois eu conto mais sobre isso. A verdade é que tenho rido, ficado emocionada e até muito indignada comigo mesma.
Enquanto isso, do meu primeiro diário, achei uma historinha fofinha que escrevi quando tinha dez anos e adorava ler Vinícius de Moraes e companhia. Num meio momento esquizofrênico, tenho a impressão de ter ouvido a menina pedir, "Publica para mim?".
"Lá vem a chuva em forma de pinguinhos de prata
Daqui da janela parece que estou dentro de um navio que vai afundar
O sol é uma bola de ouro colorindo os pinguinhos de prata como pedras preciosas das cores do arco-íris
Nem a chuva parece alegrar o velho rabugento do casarão
Só ouço a música do vento. Que solidão!
Pim, pim, pim. Faz o barulhinho da chuva no meu telhado.
Miau, miau. Faz o gato em cima do muro, todo molhado.
Hihihi, hahaha, huhuhu. Fazem as crianças voltando a brincar.
Hum, hum, hum. Faz o velho do casarão.
Parece que ninguém se lembra da chuva em forma de pinguinhos de prata que acaba de passar.
Que solidão!" (1987)
Acabei de ler a história de um artista plástico que resolveu morar nas ruas para ajudar as pessoas. Incrível! Lembrei de São Francisco: notícia completa.
"Eu moro no mundo, mas não sou do mundo. Eu aprendi a ouvir com o coração e não com o ouvido. Eu vejo as coisas longe. Afinal, a minha obra não é essa [apontando os quadros]. A minha obra é fazer a caridade. Enquanto houver uma pessoa com frio, fome e medo é de minha responsabilidade. Eu não quero saber se o prefeito faz, se meu professor faz, ou outro faz. Mas sou eu que tenho que fazer. O teste é comigo". Disse ele.
Desejo do dia: Tranqüilidade.
quinta-feira, fevereiro 10
Momento jabá
Quer uma jóia exclusiva? Transformar os bibelôs que estão guardados na caixinha em peças belíssimas? Meu pai é ourives e também professor desta arte tão rara e bacana para a qual infelizmente, não herdei o talento.
Um quadro ma-ra-vi-lho-so para um cantinho especial? Minha mãe é uma pintora incrível, com quadros espalhados pelo mundo.
E o meu jabá? Bom, ainda não sei o que será de mim. Estou aguardando uma resposta. Se ela não vier na semana que vem, quando acabam as férias do Bruno, terei que atualizar e começar a distribuir o meu currículo.
Além de uma expectativa mais cômoda, tenho duas ou três idéias do que fazer. Todas elas necessitam de uma certa dose de desafio e auto-confiança... mas, não é isso o que a vida está me dando? Um momento no qual eu não tenho nada a perder? No qual tudo é possível?
O Principe Charles está para se casar com a sua mocré... digo, dagrã..., digo, amada*. A Coréia do Norte anunciou que tem bomba nuclear sim senhor e que não está nem aí (sabe-se lá o que vai ser deste mundo nos próximos anos). A Ana Paula Padrão acaba de chamar o Jabor de machista em rede nacional. Há algo que eu não possa tentar, se quiser?
Medo de tentar uma realização pessoal, que só diz respeito a você, não é algo meio ilógico? Ou só se torna bobo quando visto à distância, do espaço ou do tempo?
Desejo do dia: lucidez e força de vontade.
*comentário preconceituoso e fuxiqueiro, admito, mas não resisto.
sexta-feira, fevereiro 4
Mulheres que parecem paisagens
Quando cheguei em Hong Kong, estranhei a maneira de vestir das adolescentes chinesas. Roupas muito coloridas, sobrepostas, Hello Kitties, boinas, cabelos desfiados. Nem sinal de plataformas e decotes.
Agora, tenho sofrido estranheza semelhante diante das moçoilas de Floripa. As meninas são lindas, mas confundem os destraídos ao adotar o mesmo look básico: cabelo bem comprido, calça pescador jeans ou branca, plataforma altíssima, blusinha super-decotada de cor intensa, de preferência verde-limão ou rosa. Bolsa de mesma cor. Há variações em shortinhos, havaianas e vestidos. Acessórios em prata imensos e em quantidade.
A barriguinha, perfeitamente aceitável em jovens senhoras, torna-se indecente nesse look, abusando das dimensões da calça saint-tropez.
Pareço um ET no meu sapato baixo. Penso que cada um deve vestir o que bem lhe aprouver, mas no fundo não consigo deixar de perceber o quanto somos influenciados pelas tendencias de consumo. Não que eu seja lá muito original. Aos poucos vou me adaptando e deixo de observar essas coisas.
Depois dizem que os chineses é que são todos iguais.
Desejo do dia: Minha Internet não funciona desde que cheguei, socorro!
segunda-feira, janeiro 24
Momento de Contemplação
Seria infame dizer que meu mundo está literalmente de cabeça para baixo? Que eu não sei o que vou escrever aí em cima no título, nem o que continuar a escrever por aqui?
Agora além da correspondência atrasada com os amigos dos blogs e do Brasil, já começa o atraso com os de Hong Kong. Por onde começar?
Mais um momento de transformações, mais uma vez, força na peruca.
Desejo do dia: tomar tento.
quarta-feira, janeiro 12
Contagem regressiva e agressiva
Não há como ententender a mudança antes dela acontecer. Por mais que eu olhe para os lugares e as pessoas, tentando guardá-los dentro de mim, vai ser impossível não pensar muitas vezes "devia ter feito mais disso ou daquilo". Melhor nem pensar.
Esse mês tem sido assim, todo dia uma despedida, de algum lugar ou de alguém. Tempo para nada. O tempo que era tão meu cúmplice resolveu disparar sozinho na reta final, levando-me pendurada pelas rédeas, com apenas uma mão livre para dar um rápido tchau, abraçar, agarrar o que for possível, sem pensar.
Muitos dos nossos pertences simplesmente se recusam a entrar nas caixas e nas malas. Ficam alí, como se não fossemos embora nunca. Uma semana e os quadros ainda estão na parede, os porta-retratos em seus lugares, muitas roupas no armário. Só o tempo corre. O dia 20 se aproxima, acelerando na nossa direção e vai se chocar contra nós, jogando malas e passaportes em nossas mãos, no Aeroporto Internacional de Hong Kong.
Não posso acreditar que os amigos daqui não estarão mais por perto... mas é bom saber que em qualquer lugar do mundo poderemos encontrar pessoas incríveis, de todas as nacionalidades, crenças e diferenças. E há quem nos espere no Brasil, para diminuir as saudades que vinhamos tentando deixar de lado.
Compramos um quadrinho que diz: "Lar é onde seu coração está". Estamos levando-o para o Brasil.
Desejo do dia: aproveitar o tempo.
quarta-feira, janeiro 5
Então...
Koh Phi Phi, Tailândia, outubro de 2004, (outras fotos da viagem). As ondas vieram pelos dois lados. Outra foto da Ilha. Sobre a onda em Phi Phi.
Quando ficamos sabendo do Tsunami, estávamos numa Ilha das Filipinas cujo turismo é praticamente todo voltado para o mergulho. Lá existem apenas pequenas pousadas e dois locais com acesso à Internet, sendo que um deles não funcionava. Grande parte dos hotéis não tinha água quente, tomadas e TV somente nos bares. Por isso, demoramos a saber do desastre.
Fomos para lá porque ficava próximo do nosso destino, Negros, onde mais alguns casais de brasileiros nos esperavam para o Ano Novo. Resolvemos nos juntar para festejar e poderíamos facilmente ter escolhido Phuket para esse encontro, mas a maioria de nós já conhecia a Tailândia. Por isso, mesmo não tendo visto nem marola, todos ficamos abalados, pensando que poderíamos estar lá.
Amigos nossos estavam em Phuket, Maldivas e Sri lanka para as férias. Felizmente, todos conseguiram se salvar, com histórias extraordinárias. Mas todo mundo aqui conhece alguém, que conhece alguém que desapareceu. Não passou um dia em que eu não pensasse nas pessoas que conhecemos em Phi Phi e, apesar de ter procurado notícias na Internet, ainda não sei se estão bem.
Em Santa Catarina, já vimos enchentes em Blumenau, Floripa, Tubarão e arredores, com muitas perdas e sofrimento, mas vendo as fotos da Ásia, dos lugares que conheci, posso dizer que trata-se de uma destruição inigualável.
Vilas e vilas que desapareceram... e só o que se pode fazer agora é cuidar dos vivos. Tentar construir algo melhor, uma vida melhor para pessoas que já passavam dificuldades antes. Tentar aprender essa lição que a Terra nos impôs com tanta força, colocando em risco a sua própria estrutura.
Desejo do dia: saúde.
Agradecemos as mensagens e a preocupação. Estou colocando a correspondência em dia.
terça-feira, dezembro 28
Estamos bem
Nossos amigos estao preocupados, mas apenas hoje vimos as noticias de que houve um desastre por aqui. Estamos em Malapascua, nas Filipinas, uma pequena Ilha onde as pessoas vao para mergulhar e por aqui esta tudo bem. Ouvimos dizer que ouve um terremoto, mas nao sabiamos que havia sido tao horrivel. Esta manha, uma pessoa olhou a borrachinha da minha mascara de mergulho de Phi Phi, na Tailandia e comentou: voce esteve la? Nao sobrou nada! Fiquei espantada. Ai comecamos a saber que havia sido um grande desastre. Fiquei horrorizada... aquela ilha tao bonita, as pessoas que conhecemos ha pouco tempo, o nosso dive master e tudo o mais... tudo se foi? Acabamos de assistir as imagens na CNN. Estamos chocados! Mas estamos bem. Ligamos imediatamente para avisar nossos pais e procurei a unica Internet da Ilha para escrever.
A noite esta linda, lua cheia e estrelas. Beijos, Lili.
sábado, dezembro 25
Até mais
Antes de voltarmos para o Brasil, no dia 20 de janeiro, vamos fazer uma viagem por aqui. Voltaremos no dia 03. Acho que não vai dar para postar nada enquanto isso.
Obrigada a todos que comentaram e mandaram e-mails desejando-nos um feliz Natal. A festa foi ótima, com mais 20 amigos. Realmente não tive tempo de mandar mensagens para todos, mas retribuo de coração.
Esse tempo... tenho certeza de que ele não existe, mas mesmo assim ele me assombra.
Ainda tem muitas coisas que eu quero fazer.
Eu quero voltar para Uluwatu, em Bali
E quero fazer uma caminhada à noite na Chapada Diamantina.
Eu quero comer um paozinho gostoso na Itália
E comprar um Buda no Camboja.
Quero encontrar meus ancestrais, na Espanha, no Marrocos, nos Andes...
E me sentir estranha numa pequena ilha do pacífico.
Eu quero admirar a luz de um passeio pelo Nilo
E quero me perder um pouquinho num mercado de Stambul.
Quero assistir a um por-do-sol na savana,
Me esticar na grama e contemplar as montanhas da Nova Zelândia.
Quero sentir frio, a beira do mar na Cornualha
E rir dos pinguins na Patagônia.
Quero ver jovens numa praia da Grécia
E subir as escadas de um templo maia.
Não necessariamente nessa mesma ordem.
Ainda quero ter muitas outras experiências e viagens,
Depois, deitar e descansar.
Desejo do dia: Boa viagem!
quarta-feira, dezembro 22
Feliz Natal!
Família em Belém, Oriente Médio, 2004. (Fonte)
O presépio, um dos símbolos do Natal é a representação de um momento sagrado na cidade de Belém. Só que as noites naquela cidade não têm sido assim tão felizes. Belém é uma das cidades ajudadas pela organização na qual eu sou voluntária, a Crossroads. Os colegas que estiveram lá trouxeram fotos das pessoas e de locais destruídos pelas bombas. Lá, tiros e explosões podem ser ouvidos freqüentemente durante o dia e à noite, as pessoas sofrem incertezas e privações diversas, de mantimentos, de bens, da liberdade. (O relato me lembrou um pouquinho a situação dos moradores das favelas do Rio de Janeiro, mas fiquei quietinha.)
“A continuidade da ocupação israelense no entorno de Belém impedirá a livre circulação de palestinos da cidade natal de Cristo no restante da Cisjordânia. Também serão reforçados os bloqueios no acesso a Jerusalém” (Fonte)
Diante disso, é fácil pensar que os outros que estão errados e que há muita violência no mundo. Posso então pensar que eu até que sou legalzinha. Mas no fundo sei que o mundo reflete um ódio que às vezes eu também tenho, mesmo que me doa admitir. Admitir que sei como fazer as pessoas sofrerem, que sinto mágoa, desejo de vingança, ressentimento, inveja, intolerância, um pouco de culpa e egoísmo. Tudo aqui guardadinho num canto, para que Papai Noel não veja e assim me traga lindos presentes...
Algumas pessoas podem a passar a vida rejeitando sentimentos naturais, sem aprender a lidar com eles, acumulando incertezas, depressão e patologias diversas. Afinal, é preciso ser um cidadão honesto e virtuoso, ao contrário daqueles bandidos que se encontram nas cadeias, dos políticos corruptos, dos terroristas e assassinos em geral.
E no meio dessa loucura, quem está realmente nos ensinando a conviver?
O que eu desejo a todos neste Natal e nessa virada de ano é que cada um de nós possa encontrar a sua paz, o seu caminho, guiado pelo Deus que está em nossos corações e em todas as coisas. Feliz Natal e feliz Ano Novo, amigos!
"Jesus não veio de além do horizonte azul para fazer da dor o símbolo da vida, mas para fazer da vida o símbolo da verdade e da liberdade. (...)
Jesus não desceu do mundo da luz para destruir as nossas casas e, com suas pedras, construir conventos e eremitérios. (...)
Jesus não veio ensinar aos homens a erguer igrejas suntuosas ao lado de casebres miseráveis e de habitações frias e escuras, mas veio para fazer do coração do homem um templo, e de sua alma um altar, e de sua mente um sacerdote." (Gibran)
terça-feira, dezembro 21
Adendo ao amigo secreto
Para quem quiser ver a bela homenagem que ganhei do meu amigo secreto, está aqui.
Não tive tempo de ler todo o blog da amiga que tirei, mas estava tentando terminar agora e encontrei essa passagem. Preciso colocar aqui, porque fiquei admirada com a sua força de vontade. Todos nós temos esforços e conquistas, mas às vezes não paramos para apreciá-las. Por isso gosto de uma frase que diz: "Senhor, vós, que tanto já nos destes, dai-nos uma coisa mais: um coração agradecido". (George Herbert)
"No ano de 2003 arrumei um emprego que tinha um salário razoavelmente decente, meus primeiros salários foram para comprar um computador, depois comecei a juntar dinheiro para construir a casa da minha mãe, mudei de emprego o salário baixou e depois subiu, consegui comprar um carro usado, e agora acabamos de nos mudar para os cômodos novos, inauguramos 2 quartos a cozinha e o banheiro, faltam ainda o quarto do meu irmão e a sala. Mas tbm falta a minha casa, e aí lá se vem mais sala, mais cozinha, mais banheiro, fico me perguntando qdo vou acabar... Mas hoje estou aqui para demonstrar minha satisfação, poderia ter pego meu dinheiro e ido viajar ou ter gasto com todas as roupas e sapatos que sonho ter....poderia ter usado para me divertir, ou poderia estar guardando para o futuro..... Mas como é bom ver a satisfação de minha mãe numa casa que tem piso....que tem parede.... num banheiro que tem pia e chuveiro elétrico.....como é bom olhar para a parede e não ver o lado de fora....Meu Deus, que privilégio vc está me dando...está me dando uma oportunidade única, estou conseguindo realizar s sonhos da minha mãe e consecutivamente os meus....pelo menos alguns, porque como disse meu irmão ontem: Nunca vi alguem ter tantos sonhos...eu adoro sonhar e falta tanta coisa.... Mas num país como o Brasil com tanta desigualdade social, com fome e desemprego, com tanta ignorância....me orgulho de ser filha de uma mãe que trabalhou na roça, ser filha de um pai ignorante e inconsequente que largou a familia na rua da amargura, ser do interior no Mato Grosso do Sul, de ter vindo parar no Acre sem dinheiro para comprar margarina e shampoo, de não ter tido uniforme e nem livros pra ir para o colégio, e estar onde estou...eu estou dirigindo meu proprio carro....quem diria...estou escrevendo no meu computador e daqui a pouco vou estudar para a minha monografia....para alguns isto é muito pouco...mas para mim isto é uma grandíssima vitória. (...) " (Minerva)
segunda-feira, dezembro 20
Amigo secreto
Mais uma árvore dos desejos que encontrei por aí.
Quando vi o nome da minha amiga secreta, lembrei dela.
Depois que criei esse blog, conheci muitas pessoas interessantes, virtualmente. Tenho sido espantosamente extrovertida por aqui, mas a verdade é que eu sou, como diriam os astrólogos, um caranguejo na minha casca, assustada com aquela frase do Millor: "Quão maravilhosas as pessoas que não conhecemos bem". Por isso, penso que sou algum tipo de amiga sempre secreta ou simplesmente estranha.
Eu acho que não participaria de um encontro de blogueiros, sou muito encabulada para essas coisas (reais), mas participei de um amigo secreto, (virtual). A idéia é fazer uma homenagem, hoje, para os nossos amigos secretos.
Não sei muito sobre a menina que tirei, mas ela escreve com sinceridade a respeito de suas angústias, estranhamente muito parecidas com as minhas. O que me faz pensar que, apesar de todo nosso esforço, nós humanos somos desconcertantemente parecidos.
Minha homenagem é um texto de Victor Hugo que fala sobre desejos (o mais sincero que conheço) e que inspirou uma música dos Titãs, para essa menina que se tem o apelido de Minerva e cujo nome, não sei se posso revelar.
"Desejo primeiro que você ame, e que amando, também seja amado. E que se não for, seja breve em esquecer. E que esquecendo, não guarde mágoa. Desejo, pois, que não seja assim, mas se for, saiba ser sem desesperar.
Desejo também que tenha amigos, que mesmo maus e inconseqüentes, sejam corajosos e fiéis e que pelo menos num deles você possa confiar sem duvidar. E porque a vida é assim, desejo ainda que você tenha inimigos. Nem muitos, nem poucos, Mas na medida exata para que, algumas vezes, você se interpele a respeito de suas próprias certezas. E que entre eles, haja pelo menos um que seja justo, para que você não se sinta demasiado seguro.
Desejo depois que você seja útil, mas não insubstituível. E que nos maus momentos, quando não restar mais nada, que essa utilidade seja suficiente para manter você de pé. Desejo ainda que você seja tolerante, não com os que erram pouco, porque isso é fácil, mas com os que erram muito e irremediavelmente, e que fazendo bom uso dessa tolerância, você sirva de exemplo aos outros.
Desejo que você, sendo jovem, não amadureça depressa demais e que sendo maduro, não insista em rejuvenescer e que sendo velho, não se dedique ao desespero. Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor e é preciso deixar que eles escorram por entre nós.
Desejo por sinal que você seja triste, não o ano todo, mas apenas um dia. Mas que nesse dia descubra que o riso diário é bom, o riso habitual é insosso e o riso constante é insano. Desejo que você descubra, com o máximo de urgência, acima e a respeito de tudo, que existem oprimidos, injustiçados e infelizes, e que estão à sua volta.
Desejo ainda que você afague um gato, alimente um cuco e ouça o joão-de-barro erguer triunfante o seu canto matinal porque, assim, você se sentirá bem por nada. Desejo também que você plante uma semente, por mais minúscula que seja e acompanhe o seu crescimento, para que você saiba de quantas muitas vidas é feita uma árvore.
Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro, porque é preciso ser prático. E que pelo menos uma vez por ano coloque um pouco dele na sua frente e diga 'isso é meu', só para que fique bem claro quem é o dono de quem.
Desejo também que nenhum de seus afetos morra, por ele e por você, mas que se morrer, você possa chorar sem se lamentar e sofrer sem se culpar. Desejo por fim que você sendo homem, tenha uma boa mulher e que sendo mulher, tenha um bom homem e que se amem hoje, amanhã e nos dias seguintes. E quando estiverem exaustos e sorridentes, ainda haja amor para recomeçar.
E se tudo isso acontecer, não tenho mais nada a lhe desejar ". (Victor Hugo)
Desejo do dia: este mesmo.
sexta-feira, dezembro 17
Mamãe, eu vou para a Califórnia
No site que fiz sobre Hong Kong, as pessoas costumam perguntar como fazer para morar fora. É claro que, se você tem dinheiro, pode ir na boa, é só buscar um curso e se matricular. Mas, para os menos abonados, existem outras opções, como obter bolsas de estudos ou conseguir um emprego que o leve para fora.
Em Floripa, boa parte das pessoas que eu conheço já passaram um tempo no exterior. Há um certo costume das famílias de economizarem para colocar os filhos em programas de intercâmbio. E há também uma cultura dos professores da Universidade Federal de Santa Catarina, de fazerem alianças com outras universidades para Doutorados sanduíche e estágios, o que facilita bastante a busca do estudante.
Fiz uma pesquisa sobre o assunto e vou colocar aqui, rapidamente, o que encontrei.
Programas de intercâmbio
Normalmente pagos, valem muito à pena. Além de contrubuir para a proficiência em uma nova língua, morar fora do país é um bom meio para desenvolver a capacidade de comunicação e abrir os horizontes. É certo que não é só isso que faz a diferença no âmbito profissional, mas ajudou muito para diversas pessoas que conheço e que não estariam aqui em HK, por exemplo, se não fosse por isso. Para quem quer fazer intercâmbio, ajuda participar de instituições como clubes Rotary e CISV.
Bolsas de estudo
Durante o seu curso universitário. Você pode procurar fazer um intercâmbio com uma outra universidade no exterior, estudando alguns meses lá. Ajuda muito se você tiver algum projeto de pesquisa. Nesse caso você pode procurar o site da universidade almejada e verificar se ela disponibiliza esse tipo de intercâmbio. Também existem alguns programas internacionais de estágios, como o do Banco interamericano de Desenvolvimento (BID): link. Há também um programa especial para afrodescentenes e indígenas: link.
Mestrado e doutorado. São as bolsas mais tradicionais e mais ofertadas. Você pode escolher uma área de estudo e procurar alguma universidade que esteja desenvolvendo um programa de pesquisa na área ou simplesmente escolher o curso desejado e fazer um pedido de inscrição. Com a carta de aceitação, já pode procurar uma bolsa que pague as despesas do curso. Algumas pagam apenas parte, outras até a passagem. A bolsa pode ser da própria universidade ou de alguma instituição ou governo. Entre no link a seguir e veja que são muitas as possibilidades: http://www.dce.mre.gov.br . Procure por “Cursos para brasileiros”, existem programas em “entidades internacionais” e “governos e instituições”. É o melhor site que eu conheço sobre o assunto e tem sido atualizado constantemente. Normalmente esse passo exige que você tenha conhecimento do idioma do país. Um dos programas é o Alban, para quem quer estudar na União Européia.
Cursos prontos. Nos quais você tem que preencher determinadas características, como experiência na área, para se cadidatar às vagas. Uma vez, indiquei um desses para um amigo nosso. Ele não sabia falar inglês direito, mas se esforçou, conseguiu cartas de recomendação, foi passando de etapa em etapa e acabou indo passar seis meses na Alemanha, estudando energia eólica (cataventos gigantes). Ex: Bolsas OEA diversas e cursos presenciais. A japonesa Jica, também disponibiliza esse tipo de curso. Conheço várias pessoas que já foram passar alguns meses no Japão estudando assuntos determinados.
Trabalho
Existem aqueles programas de trabalho em estações de esqui, navios e afins, mas esses eu não conheço bem. Penso que quem realmente quer trabalhar fora deve procurar desde cedo, trabalhar em alguma empresa que tenha o costume de mandar seus empregados para o exterior, como o HSBC ou a Embraer, por exemplo. Ou em algum órgão do governo como o Itamarati. Bom, são muitas as profissões que podem levar você para trabalhar no exterior, como a do Zeca Camargo, por exemplo. Mas não é nada fácil chegar lá. Aqui em HK, a maior parte dos brasileiros trabalha para empresas que compram ou vendem na China. Bom, um amigo é arquiteto, mas começou na Inglaterra e foi transferido para cá.
ONGs
Outra maneira interessante é participar de um programa de voluntário, mas a má notícia é que eles costumam cobrar. Sim, tirando algumas como a ONU, que pode pagar algumas despesas, muitas intituições que levam você e sua boa-vontade para salvar os rinocerontes da Indonésia e as florestas da Nova Zelândia, desde que você pague uma certa quantia. Pode ser bem mais interessante do que ir como turista e até mais barato, mas não costuma ser de graça. Exemplo: Global Volunteer. Outras oportunidades de voluntariado e algumas que cobrem as despesas: One World e Idealist.
O trabalho remunerado em ONGs, normalmente te leva a participar de muitos eventos fora do país, mas é preciso ter conhecimentos de outros idiomas para conseguir um. Veja algumas vagas aqui: Rits.
Ir por conta
Exige um espírito decidido e aventureiro. Quando você é jovem, trabalhar lavando pratos ou num hotel pode ser muito interessante e até vale muito à pena, mas depois de velho, eu não iria.
Existem outras maneiras, é claro. Eu não pesquisei tanto assim e procurei mais na minha área. Outras profissões devem ter seus caminhos especiais. Se você tem alguma dica ou discorda de algum ponto, pode colocar ali nos comentários.
Bom, também pode acontecer de você se casar com um(a) estrangeiro(a), sua família se mudar ou seu marido/esposa ser transferido(a), como no meu caso.
Além disso, como eu vi alguém dizer o outro dia, você também pode começar a vender os seus órgãos e ir se mudando aos pouquinhos. Tenho certeza de que existem outras idéias engraçadinhas, mas essas eu deixo para a criatividade dos meus amigos comediantes de plantão.
Desejo do dia: pizza!!!
